O texto é como um filho. Depois que você coloca no mundo, não dá pra controlar o caminho que ele vai percorrer. E ainda: no caso do que escrevemos, a nossa intenção não é suficiente para delimitar o sentido que o "outro" vai construir sobre ele. Não sei se isso é bom ou ruim. Só sei que é assim.
Às vésperas do blog completar um ano (o primeiro post - Manifesto aos Futuros Amores - é datado de 26/03/09)descobri coisas interessantes sobre o que as pessoas pensam dele.
Muita gente conhecida passou por aqui. Não estou falando de celebridades, mas pessoas que conhecem a autora. Isso é de dar medo! Algumas postaram comentários, outras preferiram realizar o comentário por e-mail ou pessoalmente. As "meninas" acham o blog descolado e gostam da forma "cômicaetrágica" de falar dos relacionamentos. E os "meninos"... Bem, os "meninos" já olham para o blog como se fosse "um prato de chuchu", torcem o nariz e colocam algumas observações curiosas.
O primeiro comentário que ouvi foi: "É. Você deve estar bem. Tá cheia de Futuros Amores". (-Hã?) Vou explicar. A crítica é simples e se concentra no plural. Se o blog se chamasse "Futuro Amor", sem problema!
Aí, eu fiquei me perguntando: por quê? Então, surgiu a seguinte hipótese:
Apesar de não existir "príncipe encantado", alguns homens querem exercer esse papel no imaginário de alguém. Eles querem ser lembrados como únicos, especiais e eternos. A marca do plural é entendida, nesse caso, como a coexistência de "outros príncipes" desconstruindo a idéia de lugar "privilegiado", pelo menos na lembrança.
Bom, em primeiro lugar gostaria de dizer que o nome desse blog foi inspirado na música do Chico Buarque Futuros Amantes (que também está no plural). Tinha muito mais a intenção de expressar a espera-desse-alguém-para-amar do que qualquer outra coisa...
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio,
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milênios, milênios
No ar"
Em segundo lugar, quero esclarecer que ISSO AQUI É UM BLOG! Misturo ficção e realidade o tempo inteiro! Às vezes pego a história de uma amiga misturo com uma reportagem que li no jornal e voilà! Surge um post no Futuros Amores! Nem tudo que escrevo aqui foi algo que aconteceu comigo e, por outro lado, nem tudo é 100% ficção.
Um outro comentário masculino que eu ouvi - e esse sim achei pertinente (valeu Isac! Vou pensar no assunto!) - é que ao falar dos "futuros amores" estou buscando me convencer de que o amor é possível, apesar de algumas vezes ser irônica e descrente. Aliás, quando escrevo com descrença sobre o amor estou esperando, lá no fundo, que alguém poste um comentário com uma boa argumentação me provando do contrário... Mas acho que isso é o mesmo que acreditar em contos de fadas...
Enfim, amigos-leitores... Acabei de concluir que é engraçado falar sobre futuros amores porque para isso é preciso se referir aos velhos amores... Talvez porque não temos nenhuma pista de como será o que virá... Só temos a (quase) certeza do que passou. Uma outra conclusão que cheguei é que não devo indicar o meu blog para nenhum rapaz que eu esteja interessada... Eles acabam confundindo a ficção com a realidade... Como se o blog e eu fossemos a mesma coisa. É meio como a minha avó fazia quando assistia "Mulheres de Areia": ela jurava que a Glória Pires tinha uma irmã gêmea que contracenava com ela e no fim da novela, ela tinha certeza que "Ruth e Raquel" existiam e que "Glória Pires e sua irmã gêmea" é que eram a ficção.
Enfim, é isso.

Queridos Futuros Amores,
Recebam este blog como um beijo. Não sei por onde vocês andam, o que fazem e quando iremos nos encontrar (se é que já não nos encontramos!), mas quero fazer deste lugar um diário, um ensaio, um local de reflexão sobre aquilo que eu vivo, sobre aquilo que eu sinto, sobre aquilo que compõe o meu melhor (e o meu pior também!).
Não sei como vocês irão me encontrar. Não sei se estarei bem ou mal, jovem ou idosa, atenta ou desligada. O fato é que eu quero encontrar vocês, porque a vida é feita disso: encontros.
Não haverá mapa para essa trajetória. Tudo será arquitetado pelo acaso (ou não!). Mas o que importa? O importante é que vocês cheguem! De uma vez, aos pouquinhos, entre indas e vindas, mas cheguem!
Não haverá o peso dos amores passados. Eles viraram lembranças açucaradas. Dedico, com toda a gratidão, o meu aprendizado a eles, mas hoje eu abro as minhas portas para os meus futuros amores! Com licença!
Futuros amores, termino este manifesto com o coração cheio. E cheio de algo que me faz melhor. Estarei vivendo, e vivendo muito, quando vocês chegarem! Não precisa bater, é só entrar!
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Sobre o blog
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
Leia o Manifesto.
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