FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

21 de abr. de 2011

Personagem clássico favorito: Mr. Darcy

Postado por Priscila |

Sempre torci o nariz  para Jane Austen por puro preconceito. Nunca li nenhuma obra dela e, mesmo assim,  achava que ela escrevia histórias melosas demais (que vergonha!).

 Até que, por engano, assisti a adaptação de "Orgulho e Preconceito" (2005) para o cinema. Aí, a lâmpada acendeu. Este será um dos livros que provavelmente lerei após o mestrado.

Em linhas gerais a história é a seguinte: 

"Mr. Darcy é um homem vaidoso, arrogante e preconceituoso, dono de grande fortuna, que chega à região onde reside a família Bennet. A fortuna e instrução de Mr. Darcy fazem com que ele acredite ser superior aos Bennets, em especial a Lizzie, uma das filhas, que, de imediato, adquire antipatia pelo rapaz. Esta, por sua vez, precisa se casar, uma vez que, na época, apenas o homem herdava o patrimônio familiar.
 A trama se desenrola de tal forma, que o sentimento de menosprezo entre eles vai se transformando  em atração. Em dado momento, já mais cedido aos encantos da moça, Mr. Darcy chega a pedi-la em casamento, mas o faz de modo ofensivo, reafirmando sua superioridade social. Lizzie, orgulhosa, o rejeita apesar de já nutrir um sentimento por ele."


 A história é encantadora e merece uma atenção especialmente dos rômanticos que acreditam no amor como redenção.

Mr. Darcy é o meu favorito graças à interpretação de Mathew Macfadyen. Adoro as pausas, as hesitações cheias de inteção que ele imprime a personagem... É realmente de suspirar! Qualquer uma nessa hora desejaria ser Elizabeth Bennet! Confesso que não assisti a tão elogiada interpretação de Colin Firth, mas fico satisfeita com o trabalho de Macfadyen.

Minhas cenas favoritas são:
- A cena do baile;
- A cena da tempestade;


11 de mar. de 2011

Meu clássico "cafona" favorito

Postado por Priscila |

Carnaval de 2009. Solteira, na pista e percorrendo todos os blocos da Zona Sul.

Numa segunda-feira chuvosa, desci uma rua inteira da Urca, junto com centenas de foliões, cantando "Jesus Cristo". Eu não acreditava em milagres, mas naquele dia passei a acreditar.

Eu fui para aquele bloco sem levar fé, mas, após uma peregrinação ao som do bumbo e do tamborim, recebemos a graça da aparição: o Rei, Roberto Carlos, em carne, osso e perna mecânica!

Todos entoaram o mantra "Como é grande o meu amor por você..."  e o Rei, tocado por tantas emoções, acenou da varanda do seu duplex. Aliás, ele não só acenou, como depois desceu, comprimentou os foliões, sambou e abençoou o estandarte do bloco "Exalta Rei". Foi lindo!

[Para os descrentes, a prova ]

Centenas de celulares e câmeras fotográficas registraram imagens do rei. Isso sem contar as inúmeras ligações emocionadas de filhos para pais repentindo o mesmo refrão: "-Pai, eu estou vendo o Rei!"

Depois dessa experiência descobri que o Rei Roberto conseguiu transcender ao status de "cafona" e hoje ocupa o trono de "cult-bacaninha", especialmente para as gerações entre os "vinte e muitos" e os "trinta e poucos".

Confesso: gosto do Rei. Não o "rei" das "mulheres gordinhas" e de "nossa senhora", mas o Rei "em ritmo de aventura", o rei de "cavalgada", o rei da fase jovem guarda, funk e soul  e até da fase erótica-romântica. Gosto do naipe de metais que ele usa nas músicas dessa época. Gosto das guitarras distorcidas. Gosto das viradas da bateria. Gosto das letras - apesar de algumas vezes serem repetitivas.

Enfim, por essas e outras o Rei, Roberto Carlos, é o meu clássico "cafona" favorito. =)

[Como diria o facebook: "O Rei curtiu isso"] 

Minhas músicas prediletas:

Você não serve pra mim
Não há dinheiro no mundo que pague
Cavalgada
O portão
Cama e mesa

9 de fev. de 2011

O velho e bom clássico para dançar

Postado por Priscila |

Quem nunca se pegou cantarolando algum  sucesso desses caras?
Quem nunca se viu dançando as músicas deles no auge de uma festa (especialmente após umas e outras)?
Quem nunca sentiu aquela dor de cotovelo ao ouvir suas melodias?
Quem nunca fez nada disso, que atire a primeira pedra!
 (Mas, antes de atirar a pedra,  experimente o som sem preconceitos!)

Dá play, DJ!

Wisky a go go!

 Sucesso garantido e absoluto nos luais, casamentos, bar mitzvah, funerais e na pista do meu quarto!

24 de jan. de 2011

Meus clássicos favoritos - parte 3

Postado por Priscila |

Sans toi, les émotions d'aujourd'hui
ne seraient que la peau morte
 des émotions d'autrefois.
(Sem você, as emoções de hoje seriam como a pele morta das emoções passadas)

(Hipolite - O fabuloso destino de Amélie Poulain)



Clássico nº 3: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean-Pierre Jeunet 

Já perdi as contas de quantas vezes postei, comentei e resmunguei sobre esse filme aqui. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain data de 2001, e é um dos filmes mais "cult-bacaninha" dos últimos tempos.

Esse filme é tão especial, que só é capaz de provocar dois sentimentos no público: paixão arrebatadora ou ódio mortal. Não tem meio termo. "...Amélie Poulain" é um filme muito delicado e leve, e, como já diria Kundera, a leveza, para alguns, é insustentável (Salve Kundera!). Por isso sentimentos tão opostos.

A primeira vez que vi esse filme foi no curso de francês. Chorei tanto que não tinha cabeça para continuar a aula. Saí da sala e fui andar sem rumo pela rua. Fiquei dias pensando no filme.

ADORO TUDO em "... Amélie Poulain"! A fotografia, o roteiro, a trilha sonora (Yann Tiersen é "O" cara!), a interpretação, o duende do jardim, TUDO! Sou tão louca por esse filme que tenho uma edição especial em DVD só para colecionadores (Aviso: não troco, não vendo e NÃO EMPRESTO)! Tenho a trilha sonora e ganhei até uma camisa de um amigo estilista.

Minha mãe morre de raiva da trilha sonora do filme. Ela diz que quando eu boto o CD pra tocar é porque estou triste. E é verdade. Só aquele CD consegue levantar o meu ânimo! rs
Adoro a forma criativa como o roteiro é desenvolvido e o ânimo que ele me dá depois de assiti-lo.

Amélie é tudo de bom porque mostra como coisas simples podem transformar a sua vida em algo extraordinário. Os milagres acontecem todos os dias, mas quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir??? E é por isso que o filme me conquistou...


Recomendo a qualquer pessoa.

22 de jan. de 2011

O que é um clássico?

Postado por Priscila |

Bom, antes de falar dos meus clássicos favoritos, eu deveria definir o que é um clássico. Clássico, pra mim, é aquela obra que me atinge profundamente, me transformando, seja pela sua originalidade, seja pela sua beleza. Mas achei essa definição incompleta... Então, futucando na internet achei esse texto que ajuda a entender o que é um clássico. =D

***

O que delimita um clássico?
Por Sergius Gonzaga
Extraído em: 21 de Janeiro de 2010
Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/temadomes_classicos_2.htm

Esquematicamente poderíamos apontar alguns traços definidores do que hoje se considera um texto clássico:
1. São obras que ultrapassam o seu tempo, persistindo de alguma maneira na memória coletiva e sendo atualizada por sucessivas leituras, no transcurso da história.
2. Apresentam paixões humanas de maneira intensa, original e múltipla. São paixões universais (ou pelo menos "ocidentais") e têm um grau de maior ou menor flexibilidade em relação à historicidade concreta.

3. São obras que registram e simultaneamente inventam a complexidade de seu tempo. De maneira explícita ou implícita desvelam a historicidade concreta, as idéias e os sentimentos de uma época determinada. Há uma tendência geral: quanto mais explícita for a revelação histórica, menor o resultado estético. Na verdade, o espírito da época deve estar introjectada na experiência dos indivíduos.
4. São obras que criam formas de expressão inusitadas, originais e de grande repercussão na própria história literária. Há clássicos que interessam em especial (ou talvez unicamente) ao mundo literário, como, por exemplo, o Ulisses, de Joyce.
5. São obras de reconhecido valor histórico ou documental, mesmo não alcançando a universalidade inconteste. Nesta linha situam-se aquelas obra que são clássicas apenas na dimensão da história literária de um país, como por exemplo, a obra de José de Alencar, ou apenas de uma região, como por exemplo as obras de Cyro Martins ou Aureliano de Figueiredo Pinto.
6. Talvez a característica fundamental de uma obra clássica seja a sua inesgotabilidade. Ou como diz Calvino: "Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer".

7. Um clássico é fundamental também pelo efeito que deflagra na consciência do leitor. Sob esta ótica, devemos considerar que ele é, simultaneamente:
· Forma única de conhecimento – transmite paixões humanas oriundas de um patrimônio universal (que é a experiência do homem);

· Utilização da linguagem de uma maneira exemplar, original e inesperada;

· Um conjunto de revelações, idéias e sentimentos que têm a propriedade de durar na memória mais do que outras manifestações artísticas (música, cinema, etc.) Estas podem ter (e geralmente têm) um impacto maior na hora da fruição, mas seu prolongamento emotivo – a sua duração - é mais breve e inconsistente do que o proporcionado pela grande obra literária.
· Um não contra a morte. Por perdurar, a obra clássica ultrapassa o tempo e a finitude humana. De uma certa forma, é um protesto contra o sem sentido da vida.


Bibliografia:
Calvino, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

21 de jan. de 2011

Meus clássicos favoritos - parte 2

Postado por Priscila |

Só o acaso pode nos parecer uma mensagem.
Aquilo que acontece por necessidade,
aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas.
Somente o acaso tem voz.
Tenta-se ler no acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara
os desenhos deixados pela borra de café.


Clássico nº 2: A insustentável leveza do ser de Milan Kundera.

Quando criança você se imaginava num programa de entrevistas? Eu sim. Adorava a pergunta: "- qual o seu livro favorito? E filme?" Naquela época, a resposta era a mesma de toda miss: "O Pequeno Príncipe". Mas eu desisti de citar esse livro porque na primeira vez que me perguntaram isso, riram na minha cara quando eu respondi. Esse foi um daqueles instantes em que a gente descobre como o mundo é cruel (ou melhor, alguns adultos)...
E aos pouco, fui sentindo que esse clássico já não falava tanto do meu universo. Não me tocava tanto o coração como antes. E aos poucos fui me sentindo órfão...

Qual seria o meu livro favorito depois dos 20 anos? Pergunta difícil! Tudo o que eu lia achava legal, mas nada que me apaixonasse... E foi um dia, debaixo de uma amendoeira, num dia cinza e tristinho em Niterói, que me apresentaram a obra de Milan Kundera que mudaria a minha vida (literalmente): A insustentável leveza do ser.


Segue dez razões para ler esse clássico!


1- O nome do livro já é tudo: "A insustentável leveza do ser". Daí você já tem uma prévia do que virá como prato principal;

2- Na primeira página do livro, Kundera já começa citando Nietzsche e o "mito do eterno retorno" que pode se aplicar a tudo, inclusive aos relacionamentos amorosos. É arrebatador!

3- Os capítulos do livro são curtos, e ele trabalha a literatura como um ensaio filosófico. A discussão sobre o peso e a leveza é perturbadora. Veja o que disse Ítalo Calvino sobre o livro:

“O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação – as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não mais aquele do viver” (IN: Seis propostas para o próximo milênio)

4- O livro é dividido em 7 partes: A leveza e o peso; A alma e o corpo; As palavras incompreendidas; A alma e o corpo; A leveza e o peso (sic); A grande marcha; O sorriso de Karenin. A minha parte favorita é a terceira. Não tanto pelo conteúdo, mas pela forma como ela foi estruturada. Nesse trecho da obra, o autor discute a relação de Sabina (uma artista plástica) e Franz (um professor universitário sem carisma) através de um “Pequeno léxico de palavras incompreendidas” onde o autor aponta conceitos como mulher, música, cemitério etc. do ponto de vista de cada personagem e conclui:

“Sem dúvida, podemos agora compreender melhor o abismo que separava Sabina de Franz: ele a escutava falar de sua vida avidamente, e ela o escutava com a mesma avidez. Compreendiam exatamente o sentido lógico das palavras que diziam, mas sem ouvir o murmúrio do rio semântico que corria através dessas palavras.”

5- Além do “mito do eterno retorno”, ele desenvolve o conceito de “kitsch”, apresenta o drama vivido pela República Tcheca com a invasão soviética, e usa as músicas de Beethoven para explicar relacionamentos como ninguém!

6- O autor se apresenta como narrador sem o menor escrúpulo e ainda adverte aos leitores que o livro não deve ser lido usando o artifício do “faz de conta que as personagens existem” porque elas não são reais. As personagens são arquétipos. Tomas nasceu da expressão “einmal ist keinmal” (uma vez não conta, uma vez é nunca) e Teresa nasceu dos "borborigmos", ou o ronco do estômago. Sabina, na minha hipótese, nasceu do seu chapéu coco e Franz é a metade Kitsch de Sabina.

7- O livro é repleto de erotismo sem ser vulgar. Bem diferente do filme que optou por concentrar sua narrativa nas cenas sensuais (uma verdadeira pornô chanchada!). O que foi muito prejudicial. O sexo, a nudez e as falas sobre a relação dos corpos não eram gratuitas no livro. O filme matou toda a filosofia da narrativa erótica de Kundera.

8 – O livro não tem uma linha cronológica reta. Ele vai e volta no tempo. O que torna a trama mais interessante e imprevisível. Adoro! Infelizmente, o filme optou pela linha da cronologia previsível, destruindo toda a arquitetura temporal tecida por Kundera... Uma lástima! O filme só vale por conta da interpretação de Juliette Binoche (novinha!) como Teresa e Daniel Day Lewis como Tomas ( o tempo foi generoso para Daniel).


9- O livro é repleto de citações fortes e inesquecíveis, tais como:

“(...) as metáforas são coisas perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora”.

 
“O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis”.

10- Logo nos primeiros capítulos do livro o autor informa que as personagens morreram. Eu, particularmente, fiquei agoniada tentando imaginar como ele iria terminar o livro se já sabíamos que as personagens morreram. É o vício da literatura romântica onde tudo terminar em “happy end” ou no fim absoluto e incontestável: a morte. E o autor, magistralmente, termina o livro deixando a insustentável leveza pairando no ar...


ATENÇÃO!!! FUTUROS AMORES ADVERTE:

JAMAIS leia esse livro se estiver vivendo um relacionamento! Eu e mais três amigos apelidamos esse livro de “o livro do capeta” (rs). TODOS (inclusive a minha pessoa) que leram este livro quando estavam comprometidos, se separaram... Daí você pode vislumbrar a profundidade das reflexões que ele propõe... No mais, não há contraindicação.  ; D

19 de jan. de 2011

Meus clássicos favoritos - parte 1

Postado por Priscila |

"Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!"
(Trecho do Coro da 9ª Sinfonia de Beethoven inspirado no poema "Ode à Alegria" de Schiller)


Clássico nº1: BEETHOVEN - 9ª Sinfonia  (instrumental)

Já achava Beethoven uma figura curiosa graças ao Schroeder do Snoopy. Depois, ele conquistou a minha admiração na Insustentável Leveza do Ser com o seu "-Ess muss sein!". Mas nada me arrebatou mais do que ver e ouvir a Nona Sinfonia executada no filme Copying Beethoven ( mal traduzido como "O Segredo de Beethoven").

O filme conta a história de Beethoven e da sua última composição - 9ª Sinfonia -, criada quando ele já estava surdo. Na trama, o compositor conta com a ajuda de uma jovem estudiosa de música para executar sua obra. O filme é de uma delicadeza incrível e fica ainda mais belo ao contrastar com a personalidade visceral de Beethoven.

 É belíssimo! BRAVO!!!