On dirait qu'il va faire beau malgré les nuages
Parece que fará um bom dia, apesar das núvens
Rêvons de pays nouveau partons en voyage
Partindo do país dos sonhos, começaremos nova viagem
Partir sur votre bateau me parait peu sage
Partir no seu barco parece-me imprudente.
Ca me semble un peu trop tôt je crains naufrage
Parece-me um pouco cedo de mais, temo o naufrágio.
Alors là, je tombe de haut, petite sauvage
Enquanto estiver lá, jogue-se, pequena selgavem
Mon amour est sans écho et c'est bien dommage
Meu amor não é correspondido e isso é uma pena.
(le refrain)
Ces années-là, c'est vrai
Esses anos, isso é verdade,
On était un cauchemar
Foi um pesadelo.
Mais maintenant d'un seul sourire, la vie donne un nouveau départ
Mas agora um sorriso, dá a vida um novo começo
Ces amours-là c'était comme un jeu de hasard
Esses amores foram como jogos de azar
On a joué gros on a perdu du temps mais on a gagné l'espoir
Jogamos e perdemos tempo, mas ganhamos esperança
Cessez votre numéro et passez au large!
Pare o seu numero e vá para fora!
Car je suis de ces oiseaux qui détestent les cages
Porque eu sou como aqueles pássaros que odeiam gaiolas
Qui a parlé de l'assaut ou de prise d'otage?
Quem falou de assalto ou prisão?
Moi je n'ai parlé d'un seul mot celui de mariage
Eu não falei de uma única palavra, que não fosse casamento.
(Mariage)
Alors là je dis banco je pars sans bagages
Então eu digo que vou embora sem levar bagagens
Oui
Sim
Car je sens qu'il va faire beau malgré les nuages
Por que eu sinto que fará um bom dia apesar das núvens
Ces années-là, c'est vrai
Esses anos, isso é verdade,
On marqué nos mémoires
Marcaram as nossas memórias
(le refrain)
Mais maintenant d'un seul sourire, la vie donne un nouveau départ
Mas agora um sorriso, dá a vida um novo começo
Ces amours-là c'était comme un jeu de hasard
Esses amores foram como jogos de azar
On a joué gros on a perdu du temps mais on a gagné l'espoir
Jogamos e perdemos tempo, mas ganhamos esperança
Para mais, conheça a banda: http://www.sigur-ros.co.uk/valtari/videos/
***
Gostei tanto de reencontrar as músicas do Sigur Rós, que não paro de repetir esse clip...
Que bela melodia! Que imagens!
Estava com saudades enormes de me sentir assim... Harmoniosa.
Mas não é uma harmonia qualquer: é a harmonia do belo.
É quase uma massagem na alma.
Uma inspiração profunda e relaxante.
Uma brisa que roça de leve o cabelo.
É um autoamor que transcente o mundo lá fora.
Por vezes sonho em ter eternamente esse estado em mim...
Tornar-me uma energia criadora que só pensa em criar doces cores, suaves sons, delicados movimentos...
Queria dançar. Estou dançando por dentro.
Queria pintar. Estou colorida por dentro.
Queria compor uma música. Estou em melodia por dentro.
Enquanto dura essa música, tudo lá fora está parado. Só o tempo aqui dentro importa.
É bom estar dentro de mim. É bom estar só comigo e essa canção.
Nada me falta. Tudo esta preenchido de amor que eu mesma criei.
Um filme muito delicado que fala sobre as dores do corpo, da alma e de um medicamento poderoso: o amor.
Sinopse:
Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) é um sedutor incorrigível do tipo que perde a conta do número de mulheres com quem já transou. Após ser demitido do cargo de vendedor em uma loja de eletrodomésticos, por ter seduzido uma das funcionárias, ele passa a trabalhar num grande laboratório da indústria farmacêutica. Como representante comercial, sua função é abordar médicos e convencê-los a prescrever os produtos da empresa para os pacientes. Em uma dessas visitas, ele conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de mal de Parkinson. Inicialmente, Jamie fica atraído pela beleza física e por ter sido dispensado por ela, mas aos poucos descobre que existe algo mais forte. Maggie, por sua vez, também sente o mesmo, mas não quer levar adiante por causa de sua doença.
Assisti o filme "Onde está a felicidade?" e fiquei surpresa com que vi. Achei que seria uma bomba, mas é um bom blockbuster. Está no mesmo patamar de "De pernas para o ar". Se você tiver tempo, dinheiro e com vontade de ver um bom filme -- naipe "sessão da tarde" -- é a chance!
Próximo filme que quero ver é "O palhaço", do Selton Melo. Definitivamente o Selton quer ser o Tarantino Brasileiro: ele também resgata artistas sumidos, como o Ferrugem, por exemplo. Aqueles que foram criança na década de 70 sabem de quem eu estou falando... Pena que só entra em cartaz em outubro...
Você tem medo de amar?
simplesmente amar,
ao invés de travarem uma batalha pela busca do príncipe ou da princesa encantado(a).
Que possamos amar a maria-chiquinha,
por ver a pessoa inteira em cada pausa,
em cada toque,
em casa interjeição desconjuntada.
Meus clássicos favoritos - parte 3
Clássico nº 3: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean-Pierre Jeunet
Já perdi as contas de quantas vezes postei, comentei e resmunguei sobre esse filme aqui. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain data de 2001, e é um dos filmes mais "cult-bacaninha" dos últimos tempos.
Esse filme é tão especial, que só é capaz de provocar dois sentimentos no público: paixão arrebatadora ou ódio mortal. Não tem meio termo. "...Amélie Poulain" é um filme muito delicado e leve, e, como já diria Kundera, a leveza, para alguns, é insustentável (Salve Kundera!). Por isso sentimentos tão opostos.
A primeira vez que vi esse filme foi no curso de francês. Chorei tanto que não tinha cabeça para continuar a aula. Saí da sala e fui andar sem rumo pela rua. Fiquei dias pensando no filme.
ADORO TUDO em "... Amélie Poulain"! A fotografia, o roteiro, a trilha sonora (Yann Tiersen é "O" cara!), a interpretação, o duende do jardim, TUDO! Sou tão louca por esse filme que tenho uma edição especial em DVD só para colecionadores (Aviso: não troco, não vendo e NÃO EMPRESTO)! Tenho a trilha sonora e ganhei até uma camisa de um amigo estilista.
Minha mãe morre de raiva da trilha sonora do filme. Ela diz que quando eu boto o CD pra tocar é porque estou triste. E é verdade. Só aquele CD consegue levantar o meu ânimo! rs
Adoro a forma criativa como o roteiro é desenvolvido e o ânimo que ele me dá depois de assiti-lo.
Amélie é tudo de bom porque mostra como coisas simples podem transformar a sua vida em algo extraordinário. Os milagres acontecem todos os dias, mas quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir??? E é por isso que o filme me conquistou...
Recomendo a qualquer pessoa.
Um curta delicioso! Vale a pena!
http://www.youtube.com/v/op4byt-DtsI?fs
Nosso Lar (o filme): refletindo sobre as críticas.
Concordo com a máxima: "Crença, fé, religião não se discutem". Mas acredito que elas devam ser refletidas.
***
Esse fim de semana foi assistir o filme Nosso Lar e depois fui ler as críticas. "O filme é arrastado", "Um roteiro cheio de clichês", "Um filme de linguagem kitsch", críticas, críticas e mais críticas: das flores do jardim (sim, até isso criticaram) a discussão preconceituosa sobre "as quotas" de negros em Nosso Lar... Calma, preciso refletir sobre tudo que li.
Sim, amigos o filme é arrastado... E sabem por que temos essa sensação? Porque vivemos numa sociedade que nos obriga a trabalhar num ritmo alucinado, somos doutrinados a fazer milhares de coisas ao mesmo tempo com a ideia fixa de que o mais importante é "vencer na vida"... Como se a vida fosse um jogo de videogame... Não temos paciência para cenas que demandam de nós meditação... Fato.
O roteiro é cheio de clichês? Sim, porque há mais de dois mil anos existe o "clichê" do ódio, do egoísmo, da ignorância, e quando surgiu a oportunidade de sairmos desse "clichê", através da "Boa Nova", o que fizemos com o seu mensageiro?!
"Amar ao próximo como a ti mesmo", "Perdoar quantas vezes forem necessárias", "Conhecer a ti mesmo, pois a verdade liberta", são frases batidas... Concordo. Mas não conheço nada mais eficaz contra os "clichês da miséria humana"... Alguém discorda disso? Conhecem outra solução?
O filme tem uma linguagem kitsch? Sim, porque o amor e a boa vontade não são as máximas dessa sociedade consumista que sobrevive a base do egoísmo, do individualismo e da distinção social a qualquer custo... Aliás, já reparou como o mercado sempre te oferece produtos para você se sentir amado e especial? Não se engane: amor verdadeiro não se compra. Se conquista. Mas tem gente que se contenta com o simulacro da bajulação...
Diante das críticas sobre Nosso Lar, não me vem a mente apenas as falas da Doutrina Espírita, mas os argumentos de Walter Benjamin sobre a "pobreza da experiência humana"... As falas de Zygmunt Bauman sobre o "amor líquido"... O "fetiche da mercadoria" de Karl Marx... A "desumanização do homen frente as técnicas e os objetos técnicos" citada por Milton Santos...
Sim, o filme é arrastado, clichê e kitsch aos olhos turvos de uma sociedade que prefere os simulacros, a ganância, o "poder" dos objetos fetichizados. No fundo é um público que prefere criticar a "flor do cenário" e a "tendência da moda nos figurinos" a tentar refletir sobre suas atitudes perante a vida...
Se você não acredita na Doutrina Espírita,OK. Se você não aceita a reencarnação, tudo bem. Se você acha que não existe vida após a morte, respeito. Mas tenho certeza que você há de concordar que a morte chega para todos.
Amigos, para além da trilha sonora de Philip Glass, dos efeitos especiais, do elenco e das críticas, o filme nos convida a uma reflexão sobre como estamos aproveitando o nosso tempo de vida, pois a morte do corpo é certa. Então, pra que desperdiçar a existência com pensamentos (e ações!) tão mesquinhos?
Independente do credo, no momento último da vida todos se perguntam: o que eu fiz da minha existência na terra? Se em alguns de vocês, críticos, a lembrança do"ritmo arrastado, clichê, e kitsch" do filme Nosso Lar aparecer na memória, talvez você entenda a singela mensagem.
Estréia dia 03 de Setembro de 2010. Detalhe: o filme será distribuido pela FOX e com música do compositor americano Philip Glass (ícone da trilha sonora).
Eis o blog do filme: http://nossolar-ofilme.blogspot.com/
Quem quiser saber mais sobre Nosso Lar, pode também procurar a página do filme no site da FOX.
http://www.foxfilm.com.br/
***
Depois disso minha meta é: ler o maior número de livros do André Luiz até lá. De abril até agora já foram 4.
http://www.youtube.com/v/p2Xy4slXRAI&hl=pt_BR&fs
O silêncio(Sokout)de Mohsen Makhbalfaf.
Não sei o que dizer. Não sei como lidar com isso que está aqui, dentro de mim. Estou em meditação.
Quando vi "Guernica" de Picasso, eu tive uma crise de choro. Exatamente como agora, ao ver esse vídeo. Passei anos vendo essa obra reproduzida em livros de história, mas nunca imaginei que pessoalmente ela fosse tão magnífica. Uma parede inteira de beleza. Uma beleza doída, mas tão simples, tão humana.
(Pausa)
Não sei se estou chorando exatamente pela "Guernica"... Talvez eu esteja chateada porque o Vasco perdeu a final da Taça Guanabara justamente na primeira vez que eu fui ao Maracanã. Talvez eu esteja chorando porque fui lembrar de um defunto morto e enterrado. Talvez esteja chorando porque bebi demais. Talvez eu esteja chorando porque a vida é muito doida e nem sempre somos amados por quem amamos (pelo menos não da forma como gostaríamos). E talvez não seja por nada disso...
- Nossa, como a "Guernica" é bonita!
Gostaria de ter com quem compartilhar essa beleza e o meu choro.
http://www.youtube.com/v/I_65LYLzvvI
Unusual Way*
Maury Yeston
In a very unusual way one time I needed you.
In a very unusual way you were my friend.
Maybe it lasted a day, maybe it lasted an hour.
But, somehow it will never end.
In a very unusual way I think I'm in love with you.
In a very unusual way I want to cry.
Something inside me goes week,
Something inside me surrenders.
And you're the reason why,
You're the reason why
You don't know what you do to me,
You don't have a clue.
You can't tell what its like to be me looking at you.
It scares me so, that I can hardly speak.
In a very unusual way, I owe what I am to you.
Though at times it appears I won't stay, I never go.
Special to me in my life,
Since the first day that I met you.
How could I ever forget you,
Once you had touched my soul?
In a very unusual way,
You've made me whole.
(*) Música cantada por Nicole Kidman no filme musical "NINE", de Rob Marshall.
Só de ver o trailer... Fiquei sem palavras!
Estréia na primeira semana de Abril (2010).
Para saber mais sobre o filme:Chico Xavier, o filme.
Expectativa e sua (in)definição.
Hoje abri o meu coração e achei o seguinte verbete dentro dele...
Expectativa. Sf. "esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas".
Palavra perfeita para o meu dia. Pena que nem tudo é como esperamos...
p.s. Tem dias que tudo o que eu quero é um dia frio, uma xícara de café e assistir "O fabuloso destino de Amélie Poulain" pela 1.000.000.000 vez.
ADOREI! Não tenho outras palavras! Acabei de voltar do cinema e fiquei encantada com "A princesa e o sapo", a nova animação da Disney. O filme é feito à moda antiga - 2D, sem computação gráfica - e apesar de usar os clichés dos contos de fadas, a história é bem contada, cheio de elementos novos e personagens carismáticos!
Toda a história se passa na cidade de Nova Orleans e faz referências aos aspectos culturais da cidade: a prática do vodu, os subúrbios negros e pobres da região, o carnaval, o colorido dos pântanos e o JAZZ!
O filme é um conto de fadas diferenciado: introduz a primeira princesa negra - Tiana - e apresenta ao público um príncipe - Naveen- que não possui o estilo dos anteriores. É um príncipe boêmio e falido. Além disso, ao beijar o sapo é a mocinha quem acaba sendo transformada e ela não sonha em ter um príncipe, mas um restaurante. Essa é uma história onde ambos, príncipe e princesa, são mostrados em suas limitações: um é workholic e esquece de viver, e o outro vive demais o prazer e esquece do trabalho. E o equilíbrio só o amor pode ensinar. É cliché, mas alguém conhece experiência melhor do que o amor para nos transformar positivamente?
Além disso, o filme conta com algumas curiosidades. Na versão original, é um ator brasileiro - o carioca Bruno Campos, conhecido por seus trabalhos no filme "O Quatrilho" e na série "Nip/Tuck" - quem dubla o príncipe Naveen. No Brasil, o dublador é o ator Rodrigo Lombardi.
Vale muuuuuuito a pena conferir! E quem estava com saudades das boas animações de contos de fadas da Disney, essa é uma boa oportunidade!
Segue algumas cenas prá vocês ficarem com água na boca!
Através do blog Horas Aveludadas conheci um curta metragem delicado, apaixonante e muito bem cuidado chamado "SIGNS" dirigido por Patrick Hughes. Esse curta fez parte do The Schweepes Short Movies Festival - for a mature audience, e também ganhou prêmio em Cannes.
Eu repassei o vídeo para vários amigos e todos eles foram unânimes: ficaram apaixonados! Então, gostaria de compartilhar esse curta com vocês.
www.youtube.com/v/uy0HNWto0UY&hl=pt_BR&fs
Para além dos méritos de roteiro, direção e trilha sonora, devo chamar atenção para o interesse principal do festival: divulgar a marca Schweepes. Em todos os curtas do festival aparece uma garrafinha da Tônica Schweepes! Uns mais tímidos (como no caso de "SIGNS"), outros mais escancarados(como no caso de "MAGNIFIC!"). E pra quem não sabe, a Schweepes é da Coca-cola.
Essa é uma tendência do marketing das grandes corporações: eles associam a marca à expressões culturais como uma forma de agregar valor simbólico. E eu sei bem o que é isso, pois esse é um dos meus objetos de estudo no mestrado!(rs)
Então, apesar dos curtas serem muito bons (e são! Podem conferir!) lembrem-se de que eles são uma propaganda também!
Perdão se esses três últimos parágrafos parecem tão anti-românticos, mas acho que a capacidade de se encantar e o senso crítico devem caminhar juntos.
Vejam o curta, reflitam e tirem suas próprias conclusões.
Dica de filme: "Encontros e desencontros"
Nesta terça, vi um DVD super! Chama-se "Encontros e desencontros" da Sofia Coppola, com a Scarlette Johansson e o Bill Murray. O roteiro é bem cuidado, as imagens enigmaticas, e a trilha sonora um primor. O nome original do filme é "Lost in Translation" (ou seja, Perdidos na tradução), que achei muito mais poético!
Bill Murray faz o papel de um ator (Bob Harris) de meia-idade que se encontra em Tóquio para realizar sessões fotográficas publicitárias e sente-se melancólico com toda rotina sem sentido que tornou-se sua vida, especialmente o seu casamento. No hotel, conhece Charlotte (Scarlette Johansson), a jovem esposa de um fotografo que se encontra sozinha em Tóquio nas horas em que ele trabalha. No meio de uma cultura tão diferente, onde a comunicação é quase impossível (seja com os japoneses, seja com os respectivos cônjuges) eles começam a compartilhar as angústias, as insônias e o desejo por uma vida menos mediocre.
Fiquei pensando nas pessoas que eu quero bem, e que moram em outros países.Como deve ser difícil se comunicar!
O grande ganho do filme é mostrar que não é preciso estar num outro país para se sentir "perdido na tradução". Muitas vezes, as pessoas que estão do nosso lado parecem falar um idioma completamente diferente do nosso...
Tem coisas que vão além da língua...
Fica a sugestão de filme!
Quantas vezes assisti ao filme "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"? Não sei. Perdi a conta! Apesar de já conhecer as falas de cor, a cada nova exibição percebo algum detalhe que até então passou desapercebido.
Uma das últimas coisas que descobri foi que "Clementine" é, de fato, uma espécie de "tangerina"(1).
Além disso, fiquei dias pensando: se Clementine e Joel realmente apagaram a memória que um tinha do outro, como poderiam ter se reencontrado em Montauk? Como não foi possível apagar as ligações afetivas?
Com a ajuda do filósofo Henri Bergson e o seu Livro "Matéria e Memória" (2) , cheguei a algumas respostas:
1 - Temos a tendência a acreditar que nossas ligações afetivas são construções da memória. Ou seja, gostamos de alguém pela "história" que contruímos com ela.
2 - Para Bergson, uma memória jamais é deletada. Na verdade,para ele, quando há a perda de memória, o que se perdeu é a capacidade do cérebro de acessá-la. Mas suponhamos que seja possível realmente apagar a memória. Por que Joel e Clementine se reencontraram em Montauk? Porque mesmo apagando uma lembrança, a simples experiência de ter uma pessoa especial em nossas vidas nos transforma. E essa transformação marca a presença dela em nós para sempre. Nossas escolhas, nossos hábitos, nossos gostos receberam a dose das cores trazidas por esses "encontros".
Termino essa breve reflexão com um trecho do livro do Bergson:
"Nosso caráter, sempre presente em todas as nossas decisões, é exatamente a síntese atual de todos os nossos estados passados".
Portanto, mesmo sem a memória um do outro, Joel e Clementine, estariam presentes um na vida do outro, através do caráter.
__________________________
(1) Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Clementines
(2) BERGSON, Henri, Matéria e Memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito - 3ª edição, São Paulo, Martins Fontes, 2006.
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