FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

31 de mar. de 2010

Cansaço

Postado por Priscila |

[ilustração: idílio del bosque - Karina Chavin]


"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada" (Clarice Lispector)

"Um cansaço de existir,
De ser.
Só de ser."
(Fernando Pessoa)

Respire fundo!

"Isso também passa!" (Emmanuel/Chico Xavier)

29 de mar. de 2010

Elogio

Postado por Priscila |

[ilustração:Rosa China 2 - Karina Chavin]


Tem dias em que uma "cantada" soa mais como um "elogio". Nesses casos um sorriso escapa, a surpresa brota e sem saber muito bem o porquê, a gente "agradace" querendo dizer "que bom!"

Obrigada!

E em troca te ofereço "Quintana":
"Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia."

28 de mar. de 2010

Married & Flirting

Postado por Priscila |




Eu não sei se é pra rir ou pra chorar, mas hoje descobri um game curioso sobre traição. Chama-se "Married & Flirting" (Casado & paquerando). Os personagens são uma vaca e um cavalo e o cenário do game é um restaurante. O objetivo é ajudar o cavalo a azarar a "vaquinha" da mesa ao lado sem que a "vaca" da mulher dele perceba. Puro machismo! Mas a expressão da vaca e a cara toda arrebentada do cavalo quando ela pega no flagra é impagável!

Quem quiser jogar é só clicar! http://www.jogosonline.org/jogosonline/married__flirting.html

27 de mar. de 2010

Estranho amor...

Postado por Priscila |

Eu já sabia que além de escrever "Alice no País das Maravilhas" e "Alice através do espelho", Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson) amava a fotografia.

Sabia também que a personagem "Alice" foi inspirada numa menina real que ele tinha fotografado.


Alice Liddell - criança




Alice Liddell - Jovem


Além disso tudo, eu também sabia sobre a fofoca de que ele era pedófilo e que manteve uma paixão platônica por Alice durante toda vida.


O que eu não sabia era que ele havia registrado em fotografia essa paixão... Será verdade???



Lewis Carroll e Alice Liddell

Epístola.

Postado por Priscila |

"Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar…”

"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."

(C.F.A.)

26 de mar. de 2010

Ra-Tim-Bum!

Postado por Priscila |

22 de mar. de 2010

Incompletude.

Postado por Priscila |

Para os grandes, as obras acabadas tem pesos mais leves que aqueles fragmentos nos quais o trabalho se estira através de sua vida. Pois somente o mais fraco, o mais disperso encontra sua incomparável alegria no concluir e se sente com isso devolvido à sua vida. Para o gênio, toda e qualquer censura, os pesados golpes dos destinos como o suave sono, cai na industriosidade de sua própria oficina de trabalho (...). (Walter Benjamin)



E assim disse Osho:

Não dizer tudo significa dar uma oportunidade para que o ouvinte complete o que está sendo dito. Todas as respostas vêm incompletas. O importante é tirarmos delas apenas a direção para a nossa caminhada. No momento em que encontrar o limite, você saberá o que irá permanecer.Se alguém estiver tentando compreender intelectualmente, irá fracassar.Não se trata de uma resposta para uma pergunta, mas de algo maior do que a resposta. Trata-se da indicação da própria realidade.

Mesmo no fluxo sempre mutável da vida, há instantes em que chegamos a um ponto de completude. Ao concluir isso, você estará criando condições para que alguma coisa nova possa começar. Use essa pausa momentânea para celebrar ambas as coisas: o encerramento do velho e a chegada do novo.

Até mesmo o que você entende por "incompletude" um dia se completa. Quer conforme o seu desejo, quer não. Aceite e aproveite a oportunidade!

20 de mar. de 2010

Desassossego.

Postado por Priscila |

"Fazes-me falta" de Inês Pedrosa.

Esse é o livro do meu desassossego!

Pensei em postar algumas passagens, mas me senti como a personagem do livro: morta e no limbo tentando em vão se comunicar sobre uma relação inominável.

***

- Como posso dormir tranquila essa noite depois de 37 páginas de choro copioso?

19 de mar. de 2010

Inominável

Postado por Priscila |

"A arte de viver é matar a psicologia, criar consigo e com os outros individualidades, seres, relações, qualidades que sejam inomináveis.Se não se pode chegar a fazer isso em sua vida, ela não merece ser vivida." (Michel Foucault - Entrevista - Entre o amor e os estados de paixão Conversa com Werner Schroeter).

***


O meu corpo não penetra os seus olhos. É a minha alma o que enxerga.

Sutilmente me coloquei ao seu lado para te ajudar a desembolar essa linha de pipa que não te deixa voar...
Sem corpo, sem toque, apenas palavras. Palavras íntimas da nudez d'alma.
E fomos libertando os fios. Cada um em uma ponta.
E na distância das extremidades nos encontramos.

Cortes, silêncios, tempo, percepção.
Ambos buscam. Confabulam.
E a substância mais nobre dos homens está aí, em forma de nuvem que paira e só se materializa em casos de chuva.

Porque não chove?

O especial existe por esse estado de incompletude, esse desencontro delicado no encontro.

É a dialética de um relacionamento inominável.

"Não espero completude, só cumplicidade."(Cecília Braga)

13 de mar. de 2010

Síndrome da "Branca de Neve"

Postado por Priscila |



Essa semana ouvi de um "macho" uma teoria curiosa. Segundo ele, toda "fêmea" sofre da "síndrome da branca de neve". (Hã?) Vou explicar! Essa síndrome se resume no seguinte: quando uma mulher conhece um homem, ela realiza uma rápida análise e imediatamente o enquadra num desses dois grupos: "anões" ou "príncipe". Esses dois grupos se caracterizam pelos seguintes aspectos.

GRUPO DOS ANÕES
Feliz - O típico boêmio bebum... Vive "alegrinho" de tanta cerveja!
Atchim - É o cara hipocondríaco e cheio de problema.
Mestre - Trata-se daquele guri que acha que pode mandar em tudo, inclusive na sua vida.
Zangado - São os malas. Se você chama pra sair, reclama. Se quer ficar em casa, reclama também. E por aí vai... Nunca tá satisfeito!
Soneca - Uma palavra: vagabundo. Não quer nada com trabalho. Só quer cama!
Dengoso - Hum... É aquele que você acha meiguinho, mas sempre fica com a pulga atrás da orelha se perguntando: Será que ele é...?
Dunga - Faz o tipo engraçadinho, carismático, mas só fica nisso...

GRUPO DOS PRÍNCIPES
O príncipe - É o cara perfeito! Se pra ganhar um beijo,a mulher é capaz de ficar deitada dentro de uma esquife(1), imagine o resto! (Esse pensamento não é meu! Só estou reproduzindo o que ouvi!)


Só por isso, eu já tinha achado a comparação curiosa e digna de post, mas ela vai além. Segundo a teoria, se a mulher classifica o homem no "grupo dos príncipes" existe a possibilidade de rolar um lance, mas se ela o classificar como "anão", já era! Ele pode dar casa, ajudar na cozinha, cantar musiquinha que ele vai sempre ouvir "Ahhh,não"(2)

***

Bom, não sei o que vocês acharam dessa teoria da "Síndrome de Branca de Neve", mas quando eu vejo essa imagem, eu penso duas vezes antes de classificar alguém como "príncipe"!



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(1) Pra quem não sabe, "esquife" é um sinônimo bonitinho para "caixão".
(2) Entenderam a piada, né? "Ahh,não" = "anão"

12 de mar. de 2010

Na concha

Postado por Priscila |

Hoje não vou falar de amores.

Amanheci com uma vontade estranha de me esconder numa concha e esperar...
Esperar o quê? Não sei. Sinto um arrepio frio. É como se fosse um alerta de tsunami...

Preciso fazer as minhas preces.

9 de mar. de 2010

Think positive: - Hay otros!

Postado por Priscila |

Hay otros
Danuza Leão

Quando o telefone toca e a secretária diz que é seu patrão que quer falar com você, qual o primeiro e (único) pensamento que lhe ocorre? “É a demissão” —claro. Depois da conversa, ótima, você volta a fita, raciocina e se dá conta de que, se fosse para lhe demitir, ele mandaria outra pessoa. Elementar, mas não adianta: todo mundo é inseguro, mesmo aqueles que dão a impressão de serem os mais seguros do mundo.
Só se é seguro com coisas que tanto faz; mas, quando você olha aquele vestido maravilhoso na vitrine, não compra, mas fica pensando nele sem parar e resolve voltar no dia seguinte, não consegue dormir, pensando que, quando chegar à loja ele já terá sido comprado. E quando o objeto do seu desejo é muito importante, mas muito importante mesmo, você vai pensar que talvez não consiga chegar lá por que o trânsito pode ser interrompido, que a proprietária pode ter morrido e por isso a loja vai estar fechada, esse tipo de coisa.

Quando encontra o apartamento dos seus sonhos, enquanto o despachante está examinando a documentação, são três tranqüilizantes por dia. É claro que a cidade inteira, o universo inteiro só quer uma coisa: aquele mesmo apartamento. E sendo assim, alguém vai chegar e oferecer o dobro do preço sem se importar se a papelada está ou não em ordem, e você vai ficar sem ele, claro. Ele, o único apartamento do mundo.

Já quando é você que resolve vender o seu, por mais maravilhoso que seja, uma certeza você tem: ninguém, nin-guém, vai se interessar por ele. Não importa que seja de frente para o mar e tenha uma vista esplendorosa, varanda e ar condicionado central e que o preço seja mais do que justo. Mentalmente você já se prepara para fazer um desconto—10% ou 20% o que quiserem, o que oferecerem; num momento de total insegurança, você chega a pensar em doar o imóvel para uma instituição de caridade — se alguma delas quiser, o que não é certo.

Os paranóicos de carteirinha vão mais longe: basta que o telefone toque para que eles estremeçam, com medo de uma má notícia. E se tocar de madrugada, aí é tragédia certa. E existem também aqueles que estão com a vida ótima, tudo em cima, todo mundo com saúde, os amigos bem de vida e passam o tempo se perguntando quanto tempo aquilo vai durar. Ninguém é feliz para sempre; por que ele seria? E se tiver uma doença grave? Doença não avisa, e 50% da população com mais de 85, sofre do mal de Alzheimer. Ele tem 42, mas um dia vai ter 85 – isso se viver até lá. E quando isso acontecer, quem vai cuidar dele?

E quando telefonam do laboratório para dar o resultado do exame de sangue? E quando o namorado lhe deixa?

Homens e mulheres deixados dos 15 aos cem anos, nesse momento pensam exatamente a mesma coisa: nunca mais vou arranjar outro/outra. Não adianta nada. Que você seja linda, inteligente, charmosa, interessante. Sabe o que é nunca mais? Pois é: nunca mais. E a coragem para se levantar da cama de manhã? Se não tivesse de trabalhar, ficava deitada o dia inteiro, bem vaga, se achando o lixo da humanidade. Aliás, ela merece: nunca foi uma boa filha, uma boa mãe, nem uma boa amiga e está apenas colhendo o que plantou. E se no lugar de dedicar tanto tempo aos prazeres da vida tivesse se engajado a sério num projeto político, o país não estaria do jeito que está. A culpa de tudo é dela, claro.

Não há nenhum exagero em nada que você leu; todas as pessoas são assim.
Mas existem pessoas como Maria Felix, que, num belo documentário passado na televisão em sua homenagem, declarou que nunca sofreu por um homem, por que nessa hora sempre pensou: “Hay otros”.

“Hay otros” —e isso vale para quase tudo.

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Ju, valeu pela visita ao blog! E mais: muito obrigada pelo presente! Adorei esse texto da Danuza Leão! A casa é sua! E pode sentar nesse sofazão vermelho quando quiser!!! Beijinhos

7 de mar. de 2010

Amor inventado.

Postado por Priscila |

Tá sem amor? Tá cansada de ficar sozinha? Então, aconselho a se dedicar a outras atividades enquanto o cupido não age. Aprenda a desenhar, por exemplo.

Hum, nada mal... Como diria Cazuza: "Adoro um amor inventado"

5 de mar. de 2010

Como ELES lêem o blog.

Postado por Priscila |

O texto é como um filho. Depois que você coloca no mundo, não dá pra controlar o caminho que ele vai percorrer. E ainda: no caso do que escrevemos, a nossa intenção não é suficiente para delimitar o sentido que o "outro" vai construir sobre ele. Não sei se isso é bom ou ruim. Só sei que é assim.

Às vésperas do blog completar um ano (o primeiro post - Manifesto aos Futuros Amores - é datado de 26/03/09)descobri coisas interessantes sobre o que as pessoas pensam dele.

Muita gente conhecida passou por aqui. Não estou falando de celebridades, mas pessoas que conhecem a autora. Isso é de dar medo! Algumas postaram comentários, outras preferiram realizar o comentário por e-mail ou pessoalmente. As "meninas" acham o blog descolado e gostam da forma "cômicaetrágica" de falar dos relacionamentos. E os "meninos"... Bem, os "meninos" já olham para o blog como se fosse "um prato de chuchu", torcem o nariz e colocam algumas observações curiosas.

O primeiro comentário que ouvi foi: "É. Você deve estar bem. Tá cheia de Futuros Amores". (-Hã?) Vou explicar. A crítica é simples e se concentra no plural. Se o blog se chamasse "Futuro Amor", sem problema!
Aí, eu fiquei me perguntando: por quê? Então, surgiu a seguinte hipótese:

Apesar de não existir "príncipe encantado", alguns homens querem exercer esse papel no imaginário de alguém. Eles querem ser lembrados como únicos, especiais e eternos. A marca do plural é entendida, nesse caso, como a coexistência de "outros príncipes" desconstruindo a idéia de lugar "privilegiado", pelo menos na lembrança.

Bom, em primeiro lugar gostaria de dizer que o nome desse blog foi inspirado na música do Chico Buarque Futuros Amantes (que também está no plural). Tinha muito mais a intenção de expressar a espera-desse-alguém-para-amar do que qualquer outra coisa...

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio,
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milênios, milênios
No ar"


Em segundo lugar, quero esclarecer que ISSO AQUI É UM BLOG! Misturo ficção e realidade o tempo inteiro! Às vezes pego a história de uma amiga misturo com uma reportagem que li no jornal e voilà! Surge um post no Futuros Amores! Nem tudo que escrevo aqui foi algo que aconteceu comigo e, por outro lado, nem tudo é 100% ficção.

Um outro comentário masculino que eu ouvi - e esse sim achei pertinente (valeu Isac! Vou pensar no assunto!) - é que ao falar dos "futuros amores" estou buscando me convencer de que o amor é possível, apesar de algumas vezes ser irônica e descrente. Aliás, quando escrevo com descrença sobre o amor estou esperando, lá no fundo, que alguém poste um comentário com uma boa argumentação me provando do contrário... Mas acho que isso é o mesmo que acreditar em contos de fadas...

Enfim, amigos-leitores... Acabei de concluir que é engraçado falar sobre futuros amores porque para isso é preciso se referir aos velhos amores... Talvez porque não temos nenhuma pista de como será o que virá... Só temos a (quase) certeza do que passou. Uma outra conclusão que cheguei é que não devo indicar o meu blog para nenhum rapaz que eu esteja interessada... Eles acabam confundindo a ficção com a realidade... Como se o blog e eu fossemos a mesma coisa. É meio como a minha avó fazia quando assistia "Mulheres de Areia": ela jurava que a Glória Pires tinha uma irmã gêmea que contracenava com ela e no fim da novela, ela tinha certeza que "Ruth e Raquel" existiam e que "Glória Pires e sua irmã gêmea" é que eram a ficção.

Enfim, é isso.

2 de mar. de 2010

O tamanho que somos.

Postado por Priscila |

1- Pensando como Alice

"(...)desta vez Alice encontrou uma pequena garrafa sobre a mesa ("que certamente não estava sobre aqui antes", disse Alice) e amarrada ao redor do gargalo estava uma etiqueta com as palavras "BEBA-ME" lindamente impressa em palavras grandes. (...) E ela bebeu rapidamente.

"Que sensação estranha", disse Alice. "Eu devo estar encolhendo como um telescópio!"

(...) ela esperou alguns minutos para ver se ainda iria encolher mais: ela sentiu-se um pouco nervosa em relação ao fato "porque isso pode resultar, você sabe", disse Alice para si mesma, "em eu sumir como uma vela".

(...)"Vamos, não há razão para chorar assim", disse Alice. Eu lhe aconselho deixar isso pra lá neste minuto." Normalmente ela se dava bons conselhos (embora raramente os seguisse) e às vezes repreendia-se tão severamente que chegava a ficar com lágrimas nos olhos, e uma vez ainda lembrava-se de ter tentado boxear suas próprias orelhas por ter trapaceado consigo mesma em um jogo de críquete que jogava com ela mesma, pois essa curiosa criança gostava de fingir ser duas pessoas.
"Mas não adianta agora", pensou a pobre Alice,"querer ser duas pessoas! Porque é suficientemente difícil para mim ser uma pessoa respeitável."

(...)Logo seu olho caiu sobre uma pequena caixa de vidro que jazia sob a mesa: ela abriu-a e encontrou um pequeno bolo, no qual a palavra "COMA-ME" era lindamente inscrito. "Bem, eu vou comê-lo", pensou Alice, "e se isso me fizer crescer, ótimo".

Alice comeu um pedacinho e disse ansiosamente para si mesma."E agora? E agora?", colocando a mão no topo da cabeça para sentir se estava crescendo. Ela ficou surpresa ao perceber que permanecera do mesmo tamanho. Para falar a verdade, é isso o que normalmente acontece quando se come um bolo, mas Alice já estava acostumada a não esperar nada senão coisas extraordinárias acontecendo, quando as coisas aconteciam de uma maneira normal parecia uma chatisse.

(...)Como não aconteceu nada, a menina não demorou a comer o bolo todo!

"Que curioso! Que curioso! Agora eu estou esticando como o maior telescópio que nunca houve!" disse Alice.

"Puxa! Puxa! Como tudo está tão estranho hoje! E ontem as coisas estavam tão normais! O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima questão é "Quem sou eu?" Ah! esta é a grande confusão!"

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2- À moda Martha Medeiros

A FITA MÉTRICA DO AMOR - Martha Medeiros

Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

1 de mar. de 2010

Um homem pra chamar de seu.

Postado por Priscila |

Gosto de ler Martha Medeiros. Ela movimenta as minhas idéias, organiza em palavras o que estou sentindo, me oferece um novo ângulo para um velho olhar... Martha me irrita! Ela me irrita tanto que eu gosto dela!

O texto da Martha é como a mensagem do biscoito da sorte: sempre tem algo que ecoa dentro de mim. A diferença entre os dois é que o texto dela não me dá os números da sorte para uma possível fézinha na Mega-Sena(pensando bem, dá pra imaginar ela terminando um texto dizendo: "e os seus números da sorte são: 02-05-10-24-32-48").

***

Ontem dancei pra me acabar! As pessoas não conseguem entender como eu posso ter tanta energia se não bebi, não fumei e não usei qualquer coisa do gênero... Elas não entendem porque não são capazes de compreender que eu danço pra mim e pra mais ninguém! Se tiver que pular e tirar o pé do chão, eu tiro! Se eu quiser rebolar até o chão, eu rebolo! E sabe o que eu mais gosto? Eu gosto de ver as caras de bobo me olhando... Sem entender como uma garota de óculos, tênis e toda certinha pode ter tamanha desenvoltura mundana... É uma delícia!

Por outro lado, eu não entendo um monte de coisas... Eu não entendo como "alguém" cai no choro ouvindo "Mesmo que seja eu"...

Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem pra chamar de seu.
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem pra chamar de seu...


Será? Qualquer um? Desde que tenha um sorriso bonito e um pouco de cabelo na cabeça? (Vejam o filme "Amor sem escalas"! Vocês vão entender! rs).

Então, tá! Arrumo um "cabra" pra chamar de meu, mesmo que seja por uma noite ou, para ser mais exata, por algumas horas, e? E nada! É só isso. Mesmo que "o cabra" tenha um sorriso bonito e cabelo na cabeça... Mesmo que o papo seja bom (com todo o barulho infernal)... Mesmo que ele tenha conseguido me fazer rir... No fim, isso tudo foi o mesmo que NADA. E por quê? Porque cada "bunda" que passa representa uma possibilidade de coito com menos gasto de energia para "o cabra" e aí, a "garota orgulhosa" decide dar as costas e ir embora. Ela não queria ser só "bunda"... E também não queria apenas "um homem pra chamar de seu", apesar do sorriso bonito, apesar do cabelo na cabeça, "apesar de"... Eu quero mais!

Agora entra a Martha Medeiros:

"(...) Este entre-e-sai de homens e mulheres na vida uns dos outros dinamiza as relações, incrementa biografias, dá uma sensação de estarmos aproveitando bem o nosso tempo. E o amor não está excluído da festa, pode marcar presença forte em quaisquer dos novos padrões de comportamento. Mas este barulho todo não oculta nosso questionamento mais secreto: haverá alguém que, entre todos os que cruzaram nosso caminho, poderia ter nos transformado, nos acrescido, nos desviado desta eterna experimentação e justificado nossa existência de uma forma mais intensa? Terá esta pessoa cruzado por nós e a perdemos por causa de uma frase mal colocada, por uma palavra dita com agressividade, por uma precipitação, por um medo ou um equívoco?"*

Pois é, essa pergunta me percorreu as veias... Tantas pessoas, tantas possibilidades e ao mesmo tempo, NADA! Não tenho respostas... Mas Martha termina o texto da seguinte forma:

"(...) O maravilhoso mundo das relações amorosas progride, se reinventa, se liberta das convenções, se movimenta para um lado e para o outro, mas seguimos mantendo a íntima esperança de que, entre todos os "muitos" que nos fizeram felizes, possamos reconhecer aquele "um" que calaria todas as nossas perguntas."*

***

É, talvez seja como acertar os números da Mega-Sena...

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* Trechos do texto O ocasional e o essencial de Martha Medeiros.