FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

8 de set de 2011

Faits divers

Postado por Priscila |

Um trabalho no plano micro. Trabalho de formiga... Aquele que ninguém vê.
***

Crônica

-- Eu não sei fazer isso! Tá muito difícil.
-- Não está difícil. Vamos com calma... Leia em voz alta novamente.

A menina lê o seguinte trecho: " Segundo a doutrina calvinista, a predestinação para a salvação estaria manifesta no sucesso material do homem. Certo ou errado?".

-- Não entendi nada!
-- O que significa a palavra "predestinado"?
-- Não sei...
-- Pegue o dicionário e procure a palavra.
-- Ah, achei! Predestinado: aquele que tem o destino definido com antecedência... Então, predestinado quer dizer que o destino já está definido antes mesmo da pessoa decidir?
-- Isso.
-- Mas continuo sem entender o resto...
-- O que significa "sucesso material"?
-- Ele fica famoso?
-- Não exatamente (risos)... Quer dizer que ele teve sucesso na conquista de riquezas...
-- Significa que o cara era rico?
-- Rico eu não sei, mas com muito dinheiro, provavelmente!
(risos)
-- Ai! Por que usam palavras tão difíceis?!
-- Para aumentar seu vocabulário e fazer você pensar, ora!
(risos)
-- Tá, tô quase entendendo...

A menina escreve na margem o que ela entendeu das palavras.

-- Agora, deixa eu ver se entendi.

Novamente ela lê o trecho "traduzindo" as palavras estranhas.

-- Vê se eu tô certa: aqui ele tá querendo dizer que para os calvinistas só os ricos estão destinados para o céu. É isso?

A menina procura no olhar a cumplicidade de quem confirma.

-- O que você acha?
-- Eu acho que agora entendi! Que legal!

***

Notas

1- A dificuldade da maioria das crianças é entender o que leu. Muitas vezes isso acontece porque elas não sabem o significado das palavras. Solução: estimule a pesquisa no dicionário.

2- Mostre para as crianças que elas são capazes de resolverem as questões sozinhas. Aponte as ferramentas, como o dicionário, por exemplo, ou ajude na associação das ideias.

3- A paciência e o bom humor são necessários. O professor não deve reagir ao erro ou a má interpretação do aluno com aquela cara amarrada de quem comeu jiló... Não dê peso ao erro e valorize quando o entendimento estiver correto. Isso dá ânimo ao aluno para continuar...

***

Observações:

Depois disso, três jovens foram flagrados portando dicionários na aula de história.

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Reclamações:

"-- Professora, a gente nunca foi ensinado a pensar. Era copiar, decorar e pronto! Por que não ensinaram a gente a pensar como você faz? É tão mais simples... Procurar palavra por palavra, escrever o que entendeu, dá certo, mas é cansativo! Por que não ensinaram isso quando a gente era criança? Pô, ia economizar um trabalhão agora!" (W. S.)

2 comentários:

Rodrigo disse...

Caso verídico?

Daniele Moreira disse...

Adorei o depoimento do menino sobre o ensinar a pensar. Só não concordo com a história do jiló, eu adoro jiló e faço cara de feliz quando como!