FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

9 de abr de 2010

Minutos de reflexão.

Postado por Priscila |

"Vivo numa cidade que botou fogo em favela, que já removeu pobre pra "Deus me livre" como se fosse bicho. Se é para remover, que se remova segundo critérios técnicos e transparentes que confirmem urgência e risco. Vale para pobres e ricos. Enquanto isso, nas margens das lagoas da Barra (RJ), tem invasor de luxo que pode pagar bons advogados..." (André Trigueiro pelo Twitter - @adretrig)

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Se é para remover os pobres, porque não fazer o mesmo com as mansões e condomínios de luxo construídos na beira de canais e nas orlas e que estão matando o meio ambiente com o seu esgoto? Se a desculpa é "proteger o meio ambiente" então que seja para todo mundo!

Remoção das mansões destruidoras do meio ambiente e sem pagamento de qualquer indenização JÁ!

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Nota de esclarecimento

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público. A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas. As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.

Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.

Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.

Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.

Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói

Associação de Moradores do Morro do Estado

Associação de Moradores do Morro da Chácara

SINDSPREV/RJ

SEPE – Niterói

SINTUFF

DCE-UFF

Mandato do vereador Renatinho (PSOL)

Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)

Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)

Movimento Direito pra Quem

Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares

Revista Vírus Planetário


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Morro do Bumba: governantes não fiscalizaram ocupação desornada e ainda incentivaram favela sobre o lixão em Niterói
Extraído do Jornal Extra(online)- 09/04/2010

A tragédia que desmoronou sobre os moradores do Morro do Bumba, em Viçoso Jardim, Niterói, começou a se formar há quase 30 anos. De 1982 - quando o prefeito Moreira Franco ordenou o fechamento do lixão - para cá, o lugar se transformou num território minado, com cerca de 200 casas sobre toneladas de matéria orgânica decomposta e prestes a deslizar com quase mil pessoas em cima.

Moreira Franco saiu e assumiu o prefeito Waldenir Bragança (1983/88), que conta ter retirado moradores dali através da Defesa Civil. O problema, porém, aumentou a ponto de o governador Leonel Brizola (1991/94) providenciar o fornecimento de eletricidade e água no lugar. O próprio Brizola foi à favela levar a primeira caixa d'água de helicóptero. À época, o prefeito era Jorge Roberto Silveira, em seu primeiro mandato (1989/93), também do PDT, partido do governador.

- Foi o Brizola quem estimulou o surgimento daquela favela. Não precisa ser urbanista para saber que, se você dá equipamento social, estimula a ocupação - diz Waldenir Bragança, que tinha outro projeto para lá:

- A ideia era transformar o lugar em um bosque. Um lixão é um lugar fértil para se plantar e queríamos um como o de Munique, feito nas mesmas condições.

Seu antecessor confirma e cita outro ingrediente ao desastre do Bumba.

- Fechei o lixão e proibi ocupações ali. A ideia era criar uma área verde, mas, por décadas, o país não teve um plano de habitação popular. Não tendo como comprar uma casa, as pessoas ocuparam a favela sem controle público- diz Moreira Franco, ex-governador e hoje vice-presidente da Caixa Econômica Federal.

Obra na favela vira mote de propaganda
A única rua asfaltada no Morro do Bumba foi pavimentada por Jorge Roberto Silveira. Mas foi seu sucessor, João Sampaio (1993/97), quem fez as obras que deram leves toques de urbanização no lugar. Secretário de Urbanismo na gestão anterior, João Sampaio chegou a estampar seus feitos num outdoor, com um slogan dos tempos de seu mentor: "Niterói, cada vez melhor".

O desmoronamento, porém, revelou que sobre a fina camada de terra ainda havia a montanha de lixo sob os moradores da favela.

Área condenada desde 2004
O desfecho trágico do Morro do Bumba foi sendo escrito, ano a ano, graças à omissão das sucessivas administrações do município que fizeram vista grossa para o crescimento da favela. Antes mesmo da retirada do lixão, algumas casas já haviam sido erguidas ali. Mas, com a Ponte Rio-Niterói, o processo de favelização ganhou impulso avançando sobre um solo íngreme e instável de cor preta, resultado da decomposição do lixo.

Contratado para fazer um levantamento sobre o risco de desabamento de encostas em Niterói, o Instituto de Geo-Ciências da UFF condenou a área, em 2004, num trabalho entregue ao então prefeito, Godofredo Pinto (PT).

- Isso é indesculpável. Foi omitido pela prefeitura que ali funcionara um lixão, o que é estranho. E, mesmo sem ter a informação, foi constatado que era uma área de risco - disse Adalberto da Silva, que participou do trabalho.
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Para ler na íntegra, clique aqui.

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Antes de culpar os pobres, antes de medidas de remoção violentas e preconceituosas, lembrem-se que nada disso estaria acontecendo se houvesse uma política de habitação decente em nosso país! Uma casa custa uma fortuna - até mesmo para quem pode pagar -e não deveria ser assim! O governo deveria diminuir os absurdos de impostos adicionado ao valor da moradia para permitir a todos viver dignamente! Habitação é necessidade básica, como educação, saúde e alimentação!

O governo não deve fazer favores, eles tem OBRIGAÇÃO!!!

ESSE ANO TEM ELEIÇÕES. PENSEM NESSAS POUCAS LINHAS NA HORA DE VOTAR!