FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

7 de mar. de 2010

Amor inventado.

Postado por Priscila |

Tá sem amor? Tá cansada de ficar sozinha? Então, aconselho a se dedicar a outras atividades enquanto o cupido não age. Aprenda a desenhar, por exemplo.

Hum, nada mal... Como diria Cazuza: "Adoro um amor inventado"

5 de mar. de 2010

Como ELES lêem o blog.

Postado por Priscila |

O texto é como um filho. Depois que você coloca no mundo, não dá pra controlar o caminho que ele vai percorrer. E ainda: no caso do que escrevemos, a nossa intenção não é suficiente para delimitar o sentido que o "outro" vai construir sobre ele. Não sei se isso é bom ou ruim. Só sei que é assim.

Às vésperas do blog completar um ano (o primeiro post - Manifesto aos Futuros Amores - é datado de 26/03/09)descobri coisas interessantes sobre o que as pessoas pensam dele.

Muita gente conhecida passou por aqui. Não estou falando de celebridades, mas pessoas que conhecem a autora. Isso é de dar medo! Algumas postaram comentários, outras preferiram realizar o comentário por e-mail ou pessoalmente. As "meninas" acham o blog descolado e gostam da forma "cômicaetrágica" de falar dos relacionamentos. E os "meninos"... Bem, os "meninos" já olham para o blog como se fosse "um prato de chuchu", torcem o nariz e colocam algumas observações curiosas.

O primeiro comentário que ouvi foi: "É. Você deve estar bem. Tá cheia de Futuros Amores". (-Hã?) Vou explicar. A crítica é simples e se concentra no plural. Se o blog se chamasse "Futuro Amor", sem problema!
Aí, eu fiquei me perguntando: por quê? Então, surgiu a seguinte hipótese:

Apesar de não existir "príncipe encantado", alguns homens querem exercer esse papel no imaginário de alguém. Eles querem ser lembrados como únicos, especiais e eternos. A marca do plural é entendida, nesse caso, como a coexistência de "outros príncipes" desconstruindo a idéia de lugar "privilegiado", pelo menos na lembrança.

Bom, em primeiro lugar gostaria de dizer que o nome desse blog foi inspirado na música do Chico Buarque Futuros Amantes (que também está no plural). Tinha muito mais a intenção de expressar a espera-desse-alguém-para-amar do que qualquer outra coisa...

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio,
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milênios, milênios
No ar"


Em segundo lugar, quero esclarecer que ISSO AQUI É UM BLOG! Misturo ficção e realidade o tempo inteiro! Às vezes pego a história de uma amiga misturo com uma reportagem que li no jornal e voilà! Surge um post no Futuros Amores! Nem tudo que escrevo aqui foi algo que aconteceu comigo e, por outro lado, nem tudo é 100% ficção.

Um outro comentário masculino que eu ouvi - e esse sim achei pertinente (valeu Isac! Vou pensar no assunto!) - é que ao falar dos "futuros amores" estou buscando me convencer de que o amor é possível, apesar de algumas vezes ser irônica e descrente. Aliás, quando escrevo com descrença sobre o amor estou esperando, lá no fundo, que alguém poste um comentário com uma boa argumentação me provando do contrário... Mas acho que isso é o mesmo que acreditar em contos de fadas...

Enfim, amigos-leitores... Acabei de concluir que é engraçado falar sobre futuros amores porque para isso é preciso se referir aos velhos amores... Talvez porque não temos nenhuma pista de como será o que virá... Só temos a (quase) certeza do que passou. Uma outra conclusão que cheguei é que não devo indicar o meu blog para nenhum rapaz que eu esteja interessada... Eles acabam confundindo a ficção com a realidade... Como se o blog e eu fossemos a mesma coisa. É meio como a minha avó fazia quando assistia "Mulheres de Areia": ela jurava que a Glória Pires tinha uma irmã gêmea que contracenava com ela e no fim da novela, ela tinha certeza que "Ruth e Raquel" existiam e que "Glória Pires e sua irmã gêmea" é que eram a ficção.

Enfim, é isso.

2 de mar. de 2010

O tamanho que somos.

Postado por Priscila |

1- Pensando como Alice

"(...)desta vez Alice encontrou uma pequena garrafa sobre a mesa ("que certamente não estava sobre aqui antes", disse Alice) e amarrada ao redor do gargalo estava uma etiqueta com as palavras "BEBA-ME" lindamente impressa em palavras grandes. (...) E ela bebeu rapidamente.

"Que sensação estranha", disse Alice. "Eu devo estar encolhendo como um telescópio!"

(...) ela esperou alguns minutos para ver se ainda iria encolher mais: ela sentiu-se um pouco nervosa em relação ao fato "porque isso pode resultar, você sabe", disse Alice para si mesma, "em eu sumir como uma vela".

(...)"Vamos, não há razão para chorar assim", disse Alice. Eu lhe aconselho deixar isso pra lá neste minuto." Normalmente ela se dava bons conselhos (embora raramente os seguisse) e às vezes repreendia-se tão severamente que chegava a ficar com lágrimas nos olhos, e uma vez ainda lembrava-se de ter tentado boxear suas próprias orelhas por ter trapaceado consigo mesma em um jogo de críquete que jogava com ela mesma, pois essa curiosa criança gostava de fingir ser duas pessoas.
"Mas não adianta agora", pensou a pobre Alice,"querer ser duas pessoas! Porque é suficientemente difícil para mim ser uma pessoa respeitável."

(...)Logo seu olho caiu sobre uma pequena caixa de vidro que jazia sob a mesa: ela abriu-a e encontrou um pequeno bolo, no qual a palavra "COMA-ME" era lindamente inscrito. "Bem, eu vou comê-lo", pensou Alice, "e se isso me fizer crescer, ótimo".

Alice comeu um pedacinho e disse ansiosamente para si mesma."E agora? E agora?", colocando a mão no topo da cabeça para sentir se estava crescendo. Ela ficou surpresa ao perceber que permanecera do mesmo tamanho. Para falar a verdade, é isso o que normalmente acontece quando se come um bolo, mas Alice já estava acostumada a não esperar nada senão coisas extraordinárias acontecendo, quando as coisas aconteciam de uma maneira normal parecia uma chatisse.

(...)Como não aconteceu nada, a menina não demorou a comer o bolo todo!

"Que curioso! Que curioso! Agora eu estou esticando como o maior telescópio que nunca houve!" disse Alice.

"Puxa! Puxa! Como tudo está tão estranho hoje! E ontem as coisas estavam tão normais! O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima questão é "Quem sou eu?" Ah! esta é a grande confusão!"

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2- À moda Martha Medeiros

A FITA MÉTRICA DO AMOR - Martha Medeiros

Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

1 de mar. de 2010

Um homem pra chamar de seu.

Postado por Priscila |

Gosto de ler Martha Medeiros. Ela movimenta as minhas idéias, organiza em palavras o que estou sentindo, me oferece um novo ângulo para um velho olhar... Martha me irrita! Ela me irrita tanto que eu gosto dela!

O texto da Martha é como a mensagem do biscoito da sorte: sempre tem algo que ecoa dentro de mim. A diferença entre os dois é que o texto dela não me dá os números da sorte para uma possível fézinha na Mega-Sena(pensando bem, dá pra imaginar ela terminando um texto dizendo: "e os seus números da sorte são: 02-05-10-24-32-48").

***

Ontem dancei pra me acabar! As pessoas não conseguem entender como eu posso ter tanta energia se não bebi, não fumei e não usei qualquer coisa do gênero... Elas não entendem porque não são capazes de compreender que eu danço pra mim e pra mais ninguém! Se tiver que pular e tirar o pé do chão, eu tiro! Se eu quiser rebolar até o chão, eu rebolo! E sabe o que eu mais gosto? Eu gosto de ver as caras de bobo me olhando... Sem entender como uma garota de óculos, tênis e toda certinha pode ter tamanha desenvoltura mundana... É uma delícia!

Por outro lado, eu não entendo um monte de coisas... Eu não entendo como "alguém" cai no choro ouvindo "Mesmo que seja eu"...

Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem pra chamar de seu.
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem pra chamar de seu...


Será? Qualquer um? Desde que tenha um sorriso bonito e um pouco de cabelo na cabeça? (Vejam o filme "Amor sem escalas"! Vocês vão entender! rs).

Então, tá! Arrumo um "cabra" pra chamar de meu, mesmo que seja por uma noite ou, para ser mais exata, por algumas horas, e? E nada! É só isso. Mesmo que "o cabra" tenha um sorriso bonito e cabelo na cabeça... Mesmo que o papo seja bom (com todo o barulho infernal)... Mesmo que ele tenha conseguido me fazer rir... No fim, isso tudo foi o mesmo que NADA. E por quê? Porque cada "bunda" que passa representa uma possibilidade de coito com menos gasto de energia para "o cabra" e aí, a "garota orgulhosa" decide dar as costas e ir embora. Ela não queria ser só "bunda"... E também não queria apenas "um homem pra chamar de seu", apesar do sorriso bonito, apesar do cabelo na cabeça, "apesar de"... Eu quero mais!

Agora entra a Martha Medeiros:

"(...) Este entre-e-sai de homens e mulheres na vida uns dos outros dinamiza as relações, incrementa biografias, dá uma sensação de estarmos aproveitando bem o nosso tempo. E o amor não está excluído da festa, pode marcar presença forte em quaisquer dos novos padrões de comportamento. Mas este barulho todo não oculta nosso questionamento mais secreto: haverá alguém que, entre todos os que cruzaram nosso caminho, poderia ter nos transformado, nos acrescido, nos desviado desta eterna experimentação e justificado nossa existência de uma forma mais intensa? Terá esta pessoa cruzado por nós e a perdemos por causa de uma frase mal colocada, por uma palavra dita com agressividade, por uma precipitação, por um medo ou um equívoco?"*

Pois é, essa pergunta me percorreu as veias... Tantas pessoas, tantas possibilidades e ao mesmo tempo, NADA! Não tenho respostas... Mas Martha termina o texto da seguinte forma:

"(...) O maravilhoso mundo das relações amorosas progride, se reinventa, se liberta das convenções, se movimenta para um lado e para o outro, mas seguimos mantendo a íntima esperança de que, entre todos os "muitos" que nos fizeram felizes, possamos reconhecer aquele "um" que calaria todas as nossas perguntas."*

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É, talvez seja como acertar os números da Mega-Sena...

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* Trechos do texto O ocasional e o essencial de Martha Medeiros.