"London, 31 de janeiro de 1974
Vem, que eu quero te mostrar o papel cheio de rosas nas paredes do meu novo quarto, no último andar, de onde se pode ver pela pequena janela a torre de uma igreja. Quero te conduzir pela mão pelas escadas dos quatro andares com uma vela roxa iluminando o caminho para te mostrar as plumas roubadas no vaso de cerâmica, até abrir a janela para que entre o vento frio e sempre um pouco sujo desta cidade. Vem, para subirmos no telhado e, lá do alto, nosso olhar consiga ultrapassar a torre da igreja para encontrar os horizontes que nunca se vêem, nesta cidade onde estamos presos e livres, soltos e amarrados. Quero controlar nervoso o relógio, mil vezes por minuto, antes de ouvir o ranger dos teus sapatos amarelos sobre a madeira dos degraus e então levantar brusco para abrir a porta, construindo no rosto um ar natural e vagamente ocupado, como se tivesse sido interrompido em meio a qualquer coisa não muito importante, mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim. Então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beira da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros possíveis ou presentes impossíveis, dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.” - Caio Fernando Abreu
Carta Cinza.
... e no final de uma dedicatória, uma data: 11-11-2009. Ou seja, 11 - 11 - 11 (2+0+0+9=11)
E como Clarice, sofro e me encanto com aquilo que não entendo.
"Não entender era tão vasto que ultrapassava qualquer entender - entender era sempre limitado"
O "11" é um dos poucos números da numerologia que se pode interpretar sem somar seus algarismos. Ele é um número mestre.
Na numerologia, o "11" contém a força da intuição e a capacidade de transformar o "querer em poder".
Para os que estudam Cabala, é o número da desordem (e se pensarmos no apagão da madrugada, faz sentido).
Há quem diga que descobrir o acaso "11-11" é o melhor momento para se fazer um pedido... Enfim, fiz o meu pedido!
Outros acreditam que este número é o chamado do Universo para o despertar da nossa verdadeira essência...
Conclusão: não sei o que esse acumulo de "11" significa, mas que há algo, há!
Hoje fui ao chá de bebê de uma amiga de infância. Fiquei feliz, mas essa felicidade era mesclada com uma sensação melancólica em que eu me perguntava: porque estive tanto tempo distante dos meus amigos? Alguns deles nem cheguei a participar de momentos importantes como formatura, casamento, nascimento de filho. Tentei diminuir a minha angústia pensando: se não pude estar nos outros momentos, pelo menos tive a oportunidade de participar deste! Fiz uma prece silenciosa pela minha amiga, uma prece também pela filhinha dela que chegará em dezembro. E isso me fez sentir mais nos eixos.
"Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias e as diferenças de estilo de vida porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar dos amigos que conheceu quando jovem".
"Vou estar atenta a esse céu que se mostrou tão bonito há 4 anos atrás." - 01/11/2009
"A cada viagem, uma nova face nos é mostrada. Não houve céu, mas teve ruas coloridas pelas flores dos ipês roxos. Houve boas histórias. Houve encontros místicos. Houve uma nova percepção. Sem dúvida PoA é uma das minhas cidades favoritas. Sempre volto com a vontade de ficar um pouco mais." - 07/11/2009
Sobre o blog
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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