Esperar. Não sei conviver com esse verbo. Tudo parecia calmo, tranquilo, sem nenhuma esperança ou expectativa. Tudo fluía até que... Até que ouvi. Mas ouvi o quê?
Não era música, mas vibrava.
Não era música, mas fazia barulho.
Era como o badalar dos sinos.
E tinha ritmo: o meu coração descompassado.
Dias colhendo boas conversas...
Descobri um "schlümpfe" no meio das nossas memórias de infância.
Cantei o desejo de Ariel de viver num mundo cheio de ar.
Rimos.
Brincamos.
Falamos de amores.
Te daria todos os camarões do mundo só pelo prazer de ter mais noites perfeitas como estas.
Você vai partir sem eu ter sentido o calor do seu abraço.
Mas você foi justo, honesto e leal.
E eu te admiro ainda mais.
Eu ainda estou ouvindo. E por um breve instante duvidei: seria música? Sim, poderia ser, mas a canção estava tocando na hora errada...
E tudo volta ao começo. And I'm still waiting for the song...
(...)
- Tá, tá bom. Eu vou te contar o porquê dessa loucura. Tem duas semanas eu tive um sonho muito doido. Sonhei que estava grávida e casada. Nunca sonhei isso. Aliás, sonhei. Mas eu era sempre "mãe solteira". (pausa) Eu estava no hall de um prédio. A entrada era toda branca, parecia mármore. Tinha uma porta de vidro com ornamentos em metal negro. Eu estava numa escada de corrimão dourado. Estava esperando o tal marido entrar. De repente ele entra. Nossa! Foi tão bom vê-lo! Ele usava jeans, tênis, uma camisa com blusão. Ah, ele também usava óculos. Não tinha o tipo físico dos caras com que eu me relaciono. Mas ainda sim, gostava dele. Ele veio correndo e beijou a minha barriga. Nossa, foi uma sensação estranhamente boa. Uma sensação de "minha família". Era mais que uma sensação de amor entre homem e mulher. Era uma sensação de "amo essa minha família", entende?
- Nossa, que doido!
- Não, mas o mais doido ainda está por vir! O caro do sonho.
- Hum?
- Eu nunca vi o cara do sonho antes. Mas ontem, sem querer, reconheci ele numa foto.
- Ah, normal. Você deve ter visto a foto dele antes e ficou na sua cabeça.
- Não. Você não está entendendo. Ele não é celebridade. Eu vi a foto dele por acaso!
- Que bizarro! Vai fazer o que agora? (risos)
- Sei lá. Se isso fosse um conto de Clarice Lispector, como ela resolveria?
- Ela faria a personagem ser atropelada ou então mandaria comer uma barata. (risos)
- (rindo) Para de palhaçada! Eu tô falado sério!
- Alô, Alice! Volta do país das maravilhas! Sério mesmo? Eu acho que você está lendo muita Clarice! Volta para o Kundera! Ou melhor, para de ler que como diria meu avô machista "a leitura bota muitas historinhas na cabeça das mulheres". (risos)
"Quando os quadris falam inglês" ou "Como tocar piano nas costelas de Eva".
Um sorriso e um convite: We're going to a concert. Do you want come with us? Um sorriso e uma resposta: Sure!
Os olhos azuis-esverdeados ficaram fascinados. O corpo. A dança. As mãos. O sorriso. Digo com o quadril, o que não sai pelas cordas vocais. Ele entende. Lê meus movimentos como uma partitura. É música. É dança. É toque. É cheiro. É beijo.
Assim, em poucas horas, surge um canguru desenhado na toalha de papel. O sabor da piña colada. Os passos de bolero. O piano tocado nas costelas. O perfume Armani. O abraço apertado. A confidência sobre os passos de sapateados. O sono compartilhado. O café. O café. O café. Ainda tenho o sabor do doce amargo da sua língua.
Como aproveitar um breve momento sabendo que ele não exisitirá mais em segundos? Como conviver com esse peso do eterno passado? Não há presente. Quando demos por nós, já passou.
Passei dias incrivéis, com pessoas maravilhosas. Uma experiência já nascida morta, com dia e hora prá acabar. Um peso tão denso que faz o meu coração afundar dentro de mim mesma.
Crônica de um "gajo fixe" ou histórias de tubarão.
Hoje me deparei com essa expressão portuguesa que há muito tempo não houvia: gajo fixe. Essa expressão é usada para marcar o tipo do cara legal, sedutor, que te faz rir e sabe falar sobre tudo. Esse tipo de "gajo" te leva ao suspiro...Durante esses três dias estive com um "gajo fixe". Ele era o cara dos sonhos. Soube ser "certinho" ou "malicioso" nas horas certas.
Não me senti nem Teresa, nem Sabina. Definitivamente não se tratava de uma história do Milan Kundera. Mas eu me senti diferente: eu me senti dona e senhora de mim.
Em nenhum momento em que estive com ele me senti um objeto. Ele não me tratava como mais uma na sua estatística amorosa (mesmo que eu fosse). Ele estava comigo e estava inteiro (apesar de às vezes ficar tenso na praia com medo de ser assaltado. rs).
Nem o problema da língua atrapalhou... Rimos um bocado. Ele falou mal dos companheiros de quarto e eu reclamei dos caras que não cheiram bem... E ele respondeu: "Fica tranquila! Eu tomo banho!" Rimos, rimos muito. E quando não estava rindo das histórias sobre os amigos loucos dele, estava rindo com as cócegas que ele me fazia... (Descobriu meu ponto fraco!)
Além de ensinar a dançar samba, comer churrasco com guaraná, ensinei a ele a nossa modalide de beijo. Com mais língua, com mais intensidade, com mais calor... E ele logo aprendeu a variar o beijo: da mansidão à tempestade.
Esse "gajo fixe" já se foi, mas foi bom termos ficado juntos esses dias. Eu tinha me esquecido de como era bom andar de mãos dadas na rua, ganhar beijo na testa, levar um "xero" daqueles no cangote... Tinha me esquecido de como é bom receber gentilezas, afagos inesperados, dançar juntinho sem música...
Quando na despedida eu disse "você terá boas histórias para contar para os seus amigos", ele disse "esse tipo de história é particular. É só nossa". Achei bonito (mesmo que ele tenha dito isso apenas como "frase de efeito").
Vou sentir falta desse "gajo"... Do cheiro, do cabelo fino de anjo, da risada grave, das histórias sobre tubarão...
Ah, os tubarões... Esses doces tubarões...
Sobre o blog
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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