Um sorriso e um convite: We're going to a concert. Do you want come with us? Um sorriso e uma resposta: Sure!
Os olhos azuis-esverdeados ficaram fascinados. O corpo. A dança. As mãos. O sorriso. Digo com o quadril, o que não sai pelas cordas vocais. Ele entende. Lê meus movimentos como uma partitura. É música. É dança. É toque. É cheiro. É beijo.
Assim, em poucas horas, surge um canguru desenhado na toalha de papel. O sabor da piña colada. Os passos de bolero. O piano tocado nas costelas. O perfume Armani. O abraço apertado. A confidência sobre os passos de sapateados. O sono compartilhado. O café. O café. O café. Ainda tenho o sabor do doce amargo da sua língua.
Como aproveitar um breve momento sabendo que ele não exisitirá mais em segundos? Como conviver com esse peso do eterno passado? Não há presente. Quando demos por nós, já passou.
Passei dias incrivéis, com pessoas maravilhosas. Uma experiência já nascida morta, com dia e hora prá acabar. Um peso tão denso que faz o meu coração afundar dentro de mim mesma.
"Quando os quadris falam inglês" ou "Como tocar piano nas costelas de Eva".
Crônica de um "gajo fixe" ou histórias de tubarão.
Hoje me deparei com essa expressão portuguesa que há muito tempo não houvia: gajo fixe. Essa expressão é usada para marcar o tipo do cara legal, sedutor, que te faz rir e sabe falar sobre tudo. Esse tipo de "gajo" te leva ao suspiro...Durante esses três dias estive com um "gajo fixe". Ele era o cara dos sonhos. Soube ser "certinho" ou "malicioso" nas horas certas.
Não me senti nem Teresa, nem Sabina. Definitivamente não se tratava de uma história do Milan Kundera. Mas eu me senti diferente: eu me senti dona e senhora de mim.
Em nenhum momento em que estive com ele me senti um objeto. Ele não me tratava como mais uma na sua estatística amorosa (mesmo que eu fosse). Ele estava comigo e estava inteiro (apesar de às vezes ficar tenso na praia com medo de ser assaltado. rs).
Nem o problema da língua atrapalhou... Rimos um bocado. Ele falou mal dos companheiros de quarto e eu reclamei dos caras que não cheiram bem... E ele respondeu: "Fica tranquila! Eu tomo banho!" Rimos, rimos muito. E quando não estava rindo das histórias sobre os amigos loucos dele, estava rindo com as cócegas que ele me fazia... (Descobriu meu ponto fraco!)
Além de ensinar a dançar samba, comer churrasco com guaraná, ensinei a ele a nossa modalide de beijo. Com mais língua, com mais intensidade, com mais calor... E ele logo aprendeu a variar o beijo: da mansidão à tempestade.
Esse "gajo fixe" já se foi, mas foi bom termos ficado juntos esses dias. Eu tinha me esquecido de como era bom andar de mãos dadas na rua, ganhar beijo na testa, levar um "xero" daqueles no cangote... Tinha me esquecido de como é bom receber gentilezas, afagos inesperados, dançar juntinho sem música...
Quando na despedida eu disse "você terá boas histórias para contar para os seus amigos", ele disse "esse tipo de história é particular. É só nossa". Achei bonito (mesmo que ele tenha dito isso apenas como "frase de efeito").
Vou sentir falta desse "gajo"... Do cheiro, do cabelo fino de anjo, da risada grave, das histórias sobre tubarão...
Ah, os tubarões... Esses doces tubarões...
O melhor de toda e qualquer viagem, não é o lugar que visitamos, mas as pessoas que encontramos ao longo do caminho. Minha recente estadia em Recife só confirmou a minha teoria. Não é todos os dias que temos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.
Queria que esse post fosse um beijo carinhoso em todos aqueles que tocaram o meu coração de uma forma ou de outra. Beijo na Paulista Renata, nas indinas/inglesas Nams e Resh. Na portuguesa Patrícia. No peruano Roy ("la ley" rs rs). Um abraço apertado nos franceses Lourent, Benoit e Fabien e nos alemães Sam, Christoph e Thomas. Um pé de dança com o iraniano Kia e um "xero" nos meninos de Recife: Mágico, Tatá, Café e Gilson. Para o meu amigo Tiago, o meu melhor beijo com sabor de "boa sorte".
Devo confessar que adoraria ficar mais uns dias por lá, especialmente pelas pessoas maravilhosas que conheci! De brasileira só havia eu, mais uma menina e os funcionários do albergue. O albergue era um ovo. Comportava no máximo 25 pessoas. Então, era fácil conhecer todo mundo. Chegamos e partimos quase todos na mesma época, o que facilitou a criação de um grupo bem homogênio. =)
Foram 10 dias falando inglês sem parar! Uma das minha maiores alegrias nesta viagem foi o elogio de um americano, o Kevin, escritor de guias de viagem (Ele só ficou uma noite. Estava trabalhando). Estavamos na mesa tomando café da manhã e ele me perguntou em inglês de onde eu vinha e eu disse que era do Rio. Ele ficou de boca aberta e disse: Seu inglês é muito bom! Nossa, ganhei o dia! =)
Nesses dias visitei os principais pontos turisticos: Olinda, Praia de Boa Viagem, Recife antigo, Porto de Galinhas, Itamaracá. Dancei mais do que eu podia! Tenho um roxo na planta do pé! Patrícia ( a portuguesa) me ensinou a dançar o "cha -cha -cha". Além de aulas de dança de salão, muitas caipirinhas, praia, várias horas de gargalhadas e banhos de chuva, Roy (o cineasta peruano) fez um curta-metragem "nonsense" com a galera do albergue, cada um na sua língua! (ha ha ha) A gente se divertiu horrores! Roy já está editando o filme e vai postar no Youtube em breve. Assim que tiver o link, eu colo aqui.
Viajar para Recife foi mais que conhecer um pouco do Brasil, foi uma aventurar na cultura do país de cada pessoa que conheci. Especialmente as indianas. =)
Saudades dos dias ensolarados de Recife... Saudades dos amigos que deixe por lá!
Vejam as fotos =)))))
Pipoca com cerveja para gringo ler Saramago.
Domingo, 18h, Centro da cidade, cafeteria do cinema. Estou sentada na mesa, tomando café e esperando pela próxima sessão do cinema. Estou só. Ao meu redor escuto o sotaque paulista, a gargalhada de um adolescente e o som de uma pipoca sendo esmagada por uma mandíbula. Era o gringo sentado ao meu lado. Um gringo bem gringo: sandália de gringo, mochila de gringo, garrafa d'água de gringo, cor de gringo. Um gringo que comia pipoca com cerveja. Que medo! Pipoca com cerveja?! Isso é assustador! Ele está lendo Saramago, e está quase no fim. Cata os flocos de pipoca com a mesma ferocidade com que vira as páginas do livro. Um gringo devorador de Saramago!
A pipoca acabou seguida de um gole na cerveja. Céus, Pipoca com cerveja! Uma mistura que só não é mais esdrúxula do que a combinação de meia com sandália que ele usava! De onde será esse gringo? Em que lugar do mundo se come pipoca com cerveja lendo Saramago??? A resposta está na meia: avisto uma bandeirinha da frança bordada!Oui, Il est français até nas meias!
Faltam 15 minutos para a sessão. Demorei tanto escrevendo sobre o gringo que meu café ficou frio. Preciso levantar, ir para a fila, mas estou com preguiça. Brasileiro adora uma fila! O gringo mata a cerveja, termina o Saramago, espreguiça, cata tudo que está em cima da mesa e sai. Pobre gringo! Daqui o vejo perdido sem entender a lógica da fila brasileira! Demorou tanto para se achar, que consegui me posicionar na fila quase na mesma hora que ele. O gringo bufou como quem acha um absurdo uma fila. Absurdo, amigo? Absurdo é comer pipoca com cerveja lendo Saramago e usar sandália com meia! O resto é processo civilizador!
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É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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