O melhor de toda e qualquer viagem, não é o lugar que visitamos, mas as pessoas que encontramos ao longo do caminho. Minha recente estadia em Recife só confirmou a minha teoria. Não é todos os dias que temos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.
Queria que esse post fosse um beijo carinhoso em todos aqueles que tocaram o meu coração de uma forma ou de outra. Beijo na Paulista Renata, nas indinas/inglesas Nams e Resh. Na portuguesa Patrícia. No peruano Roy ("la ley" rs rs). Um abraço apertado nos franceses Lourent, Benoit e Fabien e nos alemães Sam, Christoph e Thomas. Um pé de dança com o iraniano Kia e um "xero" nos meninos de Recife: Mágico, Tatá, Café e Gilson. Para o meu amigo Tiago, o meu melhor beijo com sabor de "boa sorte".
Devo confessar que adoraria ficar mais uns dias por lá, especialmente pelas pessoas maravilhosas que conheci! De brasileira só havia eu, mais uma menina e os funcionários do albergue. O albergue era um ovo. Comportava no máximo 25 pessoas. Então, era fácil conhecer todo mundo. Chegamos e partimos quase todos na mesma época, o que facilitou a criação de um grupo bem homogênio. =)
Foram 10 dias falando inglês sem parar! Uma das minha maiores alegrias nesta viagem foi o elogio de um americano, o Kevin, escritor de guias de viagem (Ele só ficou uma noite. Estava trabalhando). Estavamos na mesa tomando café da manhã e ele me perguntou em inglês de onde eu vinha e eu disse que era do Rio. Ele ficou de boca aberta e disse: Seu inglês é muito bom! Nossa, ganhei o dia! =)
Nesses dias visitei os principais pontos turisticos: Olinda, Praia de Boa Viagem, Recife antigo, Porto de Galinhas, Itamaracá. Dancei mais do que eu podia! Tenho um roxo na planta do pé! Patrícia ( a portuguesa) me ensinou a dançar o "cha -cha -cha". Além de aulas de dança de salão, muitas caipirinhas, praia, várias horas de gargalhadas e banhos de chuva, Roy (o cineasta peruano) fez um curta-metragem "nonsense" com a galera do albergue, cada um na sua língua! (ha ha ha) A gente se divertiu horrores! Roy já está editando o filme e vai postar no Youtube em breve. Assim que tiver o link, eu colo aqui.
Viajar para Recife foi mais que conhecer um pouco do Brasil, foi uma aventurar na cultura do país de cada pessoa que conheci. Especialmente as indianas. =)
Saudades dos dias ensolarados de Recife... Saudades dos amigos que deixe por lá!
Vejam as fotos =)))))
Pipoca com cerveja para gringo ler Saramago.
Domingo, 18h, Centro da cidade, cafeteria do cinema. Estou sentada na mesa, tomando café e esperando pela próxima sessão do cinema. Estou só. Ao meu redor escuto o sotaque paulista, a gargalhada de um adolescente e o som de uma pipoca sendo esmagada por uma mandíbula. Era o gringo sentado ao meu lado. Um gringo bem gringo: sandália de gringo, mochila de gringo, garrafa d'água de gringo, cor de gringo. Um gringo que comia pipoca com cerveja. Que medo! Pipoca com cerveja?! Isso é assustador! Ele está lendo Saramago, e está quase no fim. Cata os flocos de pipoca com a mesma ferocidade com que vira as páginas do livro. Um gringo devorador de Saramago!
A pipoca acabou seguida de um gole na cerveja. Céus, Pipoca com cerveja! Uma mistura que só não é mais esdrúxula do que a combinação de meia com sandália que ele usava! De onde será esse gringo? Em que lugar do mundo se come pipoca com cerveja lendo Saramago??? A resposta está na meia: avisto uma bandeirinha da frança bordada!Oui, Il est français até nas meias!
Faltam 15 minutos para a sessão. Demorei tanto escrevendo sobre o gringo que meu café ficou frio. Preciso levantar, ir para a fila, mas estou com preguiça. Brasileiro adora uma fila! O gringo mata a cerveja, termina o Saramago, espreguiça, cata tudo que está em cima da mesa e sai. Pobre gringo! Daqui o vejo perdido sem entender a lógica da fila brasileira! Demorou tanto para se achar, que consegui me posicionar na fila quase na mesma hora que ele. O gringo bufou como quem acha um absurdo uma fila. Absurdo, amigo? Absurdo é comer pipoca com cerveja lendo Saramago e usar sandália com meia! O resto é processo civilizador!
Quando vai chegando o mês de Julho, eu já vou me preparando para o Animamundi, o festival internacional de animação que acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esse ano já estava me sentindo tristinha por não ter ido a nenhuma sessão. Mas, já nas últimas horas do festival, lá fui eu correndo para o Odeon! Esse domingo foi dedicado a uma retrospectiva do trabalho de Michel Ocelot. Então, assisti "Azur et Asmar" (que tem cores incríveis e um desenho refinado para retratar uma cidade árabe) e " Princes et Princesses" (várias animações de contos de fadas. Boas histórias construídas com um traçado na penumbra).
Tô postando também os "contos" do filme "Princes et Princesses" que eu mais gostei (tá em italiano, mas dá prá entender um pouco):
1- "O Adestrador de flautomato". Conta a história de uma Rainha que caça e desintegra todos os seus pretendentes até o pôr do sol. Mas essa história muda quando o adestrador de "flautomato" se candidata... É um conto que se passa num futuro próximo(rs).
2- "A princesa de diamante". Conta história de uma princesa enfeitiçada que só terá o feitiço desfeito se um príncipe juntar os 101 dimantes do seu colar que está espalhado na grama. No entanto, o colar deve ter apenas 100 deles. O último diamante deve ser dada ao monstro que a protege. O pretendente que não conseguir achar os diamantes a tempo, vira formiga. Só mesmo um princípe "protetor das formigas" é merecedor de tal recompensa. =)
3- "A bruxa". O rei de um povoado lança o seguinte desafio: aquele que conseguir entrar no castelo da bruxa, terá a mão da princesa. Um pobre camponês ouve a promessa e decide se lançar na aventura. O final é surpreendente. Quem vê cara, não vê coração. (rs)
Alice e Ulisses
"Quero mergulhar na toca do coelho, passar para o outro lado do espelho, saltar casas no tabuleiro de xadrez, denunciar a justiça do corta-cabeças, fazer e destruir castelos de cartas, crescer ou me fazer miudinha como uma teleobjetiva ao sabor do que experimento, como ou bebo, chegando sempre ao foco, conversar com gatões e flertar com sorrisos que iluminam a selva e desaparecem, tomar chás intermináveis em todos os dias que são diferentes, chegar à última casa e dar o xeque-mate graças à jogada que eu mesma inventei. Eu sou Alice. Esperar em Ítaca não está com nada. Eu quero é ir por aí. Quero a palavra, o verbo, a substância e a ação, todas as vogais e todas as consoantes. No meu ritmo e na minha rima. Eu quero amar. Eu quero é ser. Eu quero ir sim. Eu quero opor. Eu quero o zoom"
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Trecho do livro: "Alice e Ulisses" de Ana Maria Machado.
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É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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