Ainda sob os efeitos da exposição "Vertigem" dos grafiteiros Otávio e Gustavo Pandolfo (Osgemeos), pesquisei na internet um pouco mais sobre o trabalho deles. Encontrei essa imagem que, confesso, me chamou muito a atenção.
Uma mulher, com o peito aberto, mostra o coração boiando em águas tranquilas. Nos ombros, algo que lembra uma vara de pescar. Do lado direito, peixes coloridos. Do lado esquerdo, um baicú e um homem.
Num primeiro momento, a imagem me conquistou pelo colorido, mas depois, analisando mais de perto, percebi que estes elementos não estavam ali em vão. Havia um significado.
O peito aberto da mulher, onde o coração boia soberano, é simbolicamente o local onde os peixes e o homem foram pescados. Chamo a atenção para a forma como estão expostos os frutos da pescaria: os peixes vistoso em oposição ao baiacú e ao homem.
Não é preciso ser pescador para saber que o baiacú é um peixe dificilmente consumido como alimento, pois produz uma substância tóxica que pode ser letal em caso de ingestão. Seria mera coincidência o homem ter sido colocado ao seu lado? Creio que não. O lado esquerdo do peito da figura feminina, ao meu ver, representa a má pescaria. Aquilo que não nos serve nem como alimento do corpo, nem como alimento da alma. Talvez, como o baiacú, o homem não deve ser deliciado porque é tóxico e letal...
Além disso, o homem não parece ter sido fisgado por um anzol, mas enforcado, perdendo o ar assim como os peixes que estão fora d'água. O corpo imóvel deduz a sua morte. Ele não poderá mais desfrutar das águas calmas onde o coração habita.
Mas uma questão se coloca: o homem foi "pescado" por engano ou propositalmente retirado das águas que banham o coração? Essa pergunta talvez não tenha resposta. Mas uma coisa é certa: dentro ou fora d'água, um baiacú é sempre um baiacú, é tóxico e letal. E se a comparação for razoável, e se a análise for plausível, a coisa mais acertada que a "pescadora" poderia ter feito era ter tirado de perto do coração a ameaça letal do "homem-baiacú".
É bom acordar de um sonho ruim. Um simples abrir de olhos e tudo fica mais claro, mais preciso, mais compreensível.
Prá que ficar tentando transformar pesadelo em sonho? São naturezas distintas!
Como é bom abrir os olhos e acordar! É uma nova chance de revisitar o mundo em cores...
Não é fácil dizer sonhando: "Abra o olho! Acorde!" É preciso algo mais: a vontade, o momento certo, o desencanto. Então, como num feitiço desfeito, os olhos se abrem e estamos de volta a nós mesmos.
E depois a gente ainda se pergunta: "como pude sonhar isso?"
"Claro que ela irá ajudar a construir o muro"!

Amado Schroeder,
Apesar da sua indiferença, eu existo. E continuarei existindo. E vivendo, vivendo muito.
Sentirei falta dos movimentos graves de Beethoven que há em você, mas preciso mais de mim.
Hoje, ao acordar nesse dia cinza, pensei mais uma vez em me debruçar sobre o seu piano. Mas aí eu percebi que o dia não seria menos cinza.
E agora, eu me pergunto:
"Muss es sein?"
E o seu querido Beethoven me responde:
"Ja, es muss sein!"
Com amor,
Lucy
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É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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