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| "In silence" by Chiharu Shiota |
Em silêncio...
Espere as teias se assentarem...
Assentarem...
Espere o branco virar negro...
Negro, negro, negro...
Fique em silêncio um pouco mais.
E mais... E mais...
Cadeiras armadas, fuga ao vento...
Vento...
Não há som que registre os seus passos...
Aço... Aço...
Esse silêncio é o meu silêncio:
...êncio.
Que ecoa perdido...
No nunca mais.
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| Meninos brincando de ser pai |
Quando vi esse imagem na página do facebook da empresa Joanninha, eu compartilhei na hora. Eu sempre tive essa questão comigo: por que as meninas brincam de ser mãe, dona-de-casa, e os meninos não brincam de ser pai ou marido?
Confesso que esse conflito surgiu quando ganhei de presente de natal um rodo e uma vassoura de brinquedo, enquanto o meu irmão ganhou o tanque dos Thundercats do meu pai. Lembro da minha revolta instantânea...
Pois bem, o fato é que desde então já tinha decidido criar meu futuro filho sabendo cuidar de uma casa e de si mesmo.Gostaria de salientar que o hábito de os homens não lavarem a sua própria louça ou deixarem a cueca suja no banheiro é algo cultural. Em alguns países da Europa, por exemplo, os pais treinam desde muito cedo os filhos e filhas para a vida adulta... Normalmente saem de casa com 18 anos... Vão precisar desse ferramental.
E no Brasil? No Brasil ainda impera o patriarcalismo fuleiro. A mulher ainda serve o homem, como se ainda vivêssemos nos tempos dos Senhores de Engenho. Ocorre, no entanto, que a sociedade é outra. Apenas o salário do homem não sustenta mais a casa e, se as mulheres podem ajudar na divisão das despesas, os homens precisam aprender a colaborar mais ativamente nas atividades domésticas e na criação dos filhos.
Reconheço que, com a entrada da mulher no mercado de trabalho -- especialmente após a 2ª Guerra -- e com a formação de um novo paradigma para o "ser feminino", é hora do homem se reposicionar no mundo. A crise do "ser masculino" é clara: não se defini mais o homem como "o provedor/chefe de família". Ele agora precisa de uma identidade múltipla, versatil e em harmonia com a identidade da mulher. A hierarquia que privilegia o homem em detrimento da mullher ruiu e aqueles que continuam pensando e agindo da velha forma, não conseguem se relacionar com o mundo, com os filhos e com as mulheres... O homem brasileiro, em especial, precisa compreender que "ser homem" não é exercer o poder de subjulgar o outro, nem de ser servido como "eterno filho", exergando a companheira como uma continuação da mãe...
Acredito que a recriação da identidade masculina é libertadora para ele próprio. Nada mais triste do que ver um homem que não sabe fazer o alimento que o sustenta, que não faz ideia de como se limpa a roupa que ele mesmo usa, que desconhece completamente de como cuidar dos filhos. Sobre esse útlimo aspecto acrescento: é cuidando dos filhos, doando tempo ao invés de dinheiro, que se constrói os laços de amizade que, futuramente, serão importantes na velhice.
Diante desses conflitos pela busca do "quem sou eu", vemos também as cores pesadas e fortes dos homens que preferem, então, privilegiar a sua "identidade sexual". Ser homem é ser macho, ter muitas relações sexuais e por aí vai... Nada de novo. O problema é que, com a exacerbação da Modernidade (Hipermodernidade), essa identidade é exaltada: a felicidade é confundida com hedonismo, o prazer full time, o êxtase. O que é uma visão limitadora: felicidade é um estado de espírito e não uma sequência de excitação, climax e alívio. Aliás, muitas mulheres também apostam no sexo como forma de reafirmar uma identidade "liberta de não sei o quê"!
Hoje, o sexo é, com certeza, o caminho mais trilhado na busca pela identidade do "ser no mundo", mas, ainda sim, não resolve a nossa questão inicial: "o que é ser homem hoje?" Não sabemos. Respoder a essa pergunta é iniciar uma trajetória de autoconhecimento que dever ser usada na sustenção de si mesmo e, consequentemente, da sua relação com o outro. Estamos no olho do furacão. Cabe a nós, homens e mulheres, trabalharmos juntos nessa busca.
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Sobre o blog
Este blog é um esforço lúdico para (re)elaborar a experiência amorosa. O amor na música, na memória, no cinema, na literatura, ou no "acaso".
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
Leia o Manifesto.
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