FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

28 de fev de 2012

Distorções (II): quando amar é sofrer...

Postado por Priscila |

"(...) mulheres que amam demais provêm de famílias em que foram muito solitárias e isoladas, rejeitadas ou sobrecarregadas de responsabilidades desproporcionais, e que, dessa forma, tornaram-se superatenciosas e auto-sacrificantes; ou foram submetidas a um caos perigoso, de forma que desenvolveram uma compulsão de controlar as pessoas ao redor e as situações em que se encontravam. É natural que uma mulher que precise dar atenção ou controlar ou ambas as coisas, será capaz de fazê-las apenas com um parceiro que ao menos permita esse tipo de comportamento. Inevitavelmente, ela se envolverá com um homem irresponsável em ao menos alguns campos importantes da vida dele, porque precisa claramente da ajuda, da atenção e do controle dela. Então, inicia-se sua luta para tentar modificá-lo através da força e da persuasão de seu amor.

É nesse ponto inicial que a insalubridade posterior do relacionamento pode ser pressagiada, conforme ela começa a negar a situação real. Lembre-se, a negação é um processo inconsciente, espontâneo, que ocorre automaticamente. Seu sonho de como o relacionamento poderia ser, e seu esforço para atingir esse fim, deturpa sua percepção de como ele
é. Toda decepção, todo fracasso e toda traição no relacionamento são ou ingorados ou racionalizados. "Não é tão ruim assim." "Você não compreende como ele é realmente." "Ele não teve a intenção." "Não é culpa dele." Essas são apenas algumas das frases-suporte que a mulher que ama demais usa nesse estágio do processo doentio para defender o parceiro e o relacionamento. (...) Se estar com ele não é bom, ela tenta consertá-lo ou consertar-se para que seja bom.

Ela não procura recompensa emocional em outro lugar. Está ocupada demais tentando fazer o relacionamento dar certo entre eles. Ela está certa de que, se conseguir fazê-lo feliz, ele a tratará melhor, e então ela ficará feliz também. Com os esforços para agradar, ela torna-se a protetora zelosa do bem-estar dele. Cada vez que ele se desaponta, ela toma essa reação como seu fracasso e sente-se culpada (pela infelicidade dele, que ela não é capaz de melhorar, pelas inadequações dele, que ela não é capaz de retificar). Mas, talvez mais que tudo, sinta-se culpada por ser ela mesma infeliz. Sua negação diz a ela que não há nada realmente errado com ele, de forma que o erro deve ser todo dela.

No desespero, que ela julga estar fundamentado em problemas triviais e reclamações mesquinhas, começa a ter uma necessidade louca de conversar com o parceiro sobre aquilo. Ocorrem longas discussões (se ele conversa com ela), mas os problemas verdadeiros não são normalmente tratados. Se ele bebe demais, a negação não deixa que ela reconheça o fato, e suplica que ele fale por que está tão infeliz, supondo que a bebedeira não seja importante, mas a felicidade dele certamente sim. Se ele é infiel, ela pergunta o motivo de não ser mulher suficiente para ele, aceitando a situação como sua falha, não dele. E assim por diante. As coisas vão piorando. Mas pelo fato de o parceiro temer que ela se torne desmotivada e se afaste dele, e pelo fato de precisar do apoio dela (emocional, financeiro, social ou prático), ele lhe diz que está errada, que está imaginando coisas, que ele a ama e que a situação deles está melhorando, mas que ela é negativa demais para preencher aquilo. E ela acredita nele, porque precisa demais acreditar. Aceita o que ele fala, que está exagerando os problemas e que se torna distante da realidade. Ele tornou-se o termômetro, o radar dela, seu medidor emocional. E ela o consulta constantemente. Todos os seus sentimentos são gerados pelo comportamento dele. Ao mesmo tempo em que dá a ele o poder de balançá-la e oscilá-la emocionalmente, causa interferência entre ele e o mundo. Ela tenta fazê-lo parecer melhor do que é e fazê-los parecer, como um casal, mais felizes do que são. " (Robin Norwood)

26 de fev de 2012

Distorções: quando amar é sofrer...

Postado por Priscila |

"Você deve escutar sua voz interior, levando em conta o que é bom e o que é certo para você, e então obedecê-la. É assim que você desenvolve um egoismo saudável, escutando os próprios palpites. Até agora você provavelmente tem sido quase uma vidente, captando palpite de outras pessoas sobre como se comportar. Descarte esses palpites ou eles continuaram a sufocar os seus."
(Robin Norwood)

24 de fev de 2012

Pela metade...

Postado por Priscila |

Em tempos de crises e recessões, existe uma economia sentimental que segue uma tendência curiosa. Vejamos alguns exemplos:



[Caso 1]

—Nossa, como é bom te ver! Passa o número do seu telefone para a gente se falar?



Nesse instante o tempo congela, a pessoa pensa duas vezes antes de passar o telefone, mas ao mesmo tempo, na solidão do seu quarto reclama a falta de ligações.



[Caso 2]

“Caro amigo, tenho saudades de você. Enviei alguns e-mails, mas você nunca mais me respondeu. Agora que te achei, poderia me mandar novamente seu endereço eletrônico?”



A pessoa em questão encaminha o e-mail “plano B”. Ou seja, aquele que dificilmente acessa, ou que deixa de “stand by” para manter a privacidade...



Ah, a privacidade! Que palavra curiosa! Refletindo a partir de alguns exemplos entendi que, hoje, “privacidade” é aquele espaço em que ninguém, além do próprio, deve entrar, pois é um local para exercício do egoísmo individualista. Também reconheci outras ideias ligadas ao termo, tais como a “meia verdade”, ou a famosa omissão, que quando questionadas são rapidamente rebatidas com o termo “invasão de privacidade”.



Talvez eu seja ingênua, pois entendia privacidade como aquele local de silêncio onde nos recolhemos para meditar, e não para nos esconder.



Eu sei, eu sei... Estamos na sociedade do espetáculo e nunca houve tantas “exibições” como hoje... Mas não estou falando disso... O que eu me refiro é aquele espaço de troca e não da relação espectador-espetáculo.



Enquanto isso, eu reconheço rostos, mas não sei quem são...

Um texto delicado que vale a pena ler!



***

Um olhar de ternura
Artur da Távola - 01 de julho de 2006


Chego no boteco, a macharia está lá. Supondo vir a ser compreendido e admirado, todo pimpão, apresso-me em proclamar:

1- Sabem qual foi o lance mais bonito da Copa?
2- Qual? Qual? Já sei, aquele gol do Argentino de fora da área...
1- Nada disso: tem sido o olhar de ternura do William Bonner para a mulher nas despedidas do Jornal Nacional.

Levo logo uma vaia. Ninguém me compreendeu. Até de piegas me chamaram, em gozação. Calo-me, então, a ponto de os demais depois até repararem. Invento, então, um compromisso e saio antes do fim do papo. A pensar:

Já sei o que os incomodou: a palavra ternura. O mundo anda precisado de ternura e as pessoas têm medo de demonstrar sentimentos. Mas isso é uma bobagem. Ternura ninguém manifesta sem sentir. É necessário que venha de dentro. É o mais leal dos sentimentos. Ternura não se manifesta: sente-se.

Um marido distante quilômetros e um tempão longe da mulher que ama, vê-la na madrugada e no frio a trabalhar com afinco, mesmo sendo discreto e polido como o Bonner, sabe que ela é mãe de seus trigêmeos e dia desses até se preocupou em dizer que lá estava frio como a significar: “Vê lá se vai pegar uma gripe. Amanhã venha mais agasalhada.” D’outra feita, havia uma festa dos brasileiros entrando pela madrugada no Hotel e ela encerrava a sua reportagem do lado de fora. Discreto como sempre, ele quase perguntou: “Você vai à festa? (Ou vai dormir, deve ter pensado e calou?) “Nada de festa, ouviu Madame?” Também esta frase não pronunciou. Mas sentiu o ciuminho e o transmitiu subjetivamente.

Posso pensar que nós cronistas vemos coisas que os demais não percebem e até desdenham e por vezes eu sei que vivemos nos demais as emoções que estão a pulular dentro de nós. Pode ser. Há tanta artificialidade na televisão que aquilo poderia ser combinado. E concluo: poderia ser, porém não é! O rapaz não é ator. Quando a casa deles foi invadida por bandidos, todos ameaçados, ele foi valente defensor da família. Arriscou a vida. Do lado de lá (Alemanha) a Fátima é ainda mais encabulada, e parece uma menina a disfarçar ao receber uma cantada. Mesmo do marido.

Ora, conclui o velho cronista: receber diante de 60 ou 70 milhões de brasileiros uma declaração de amor através do olhar terno e saudoso do marido é a glória para qualquer uma. Sinal de merecimento. Fico com a minha conclusão: os meus amigos de boteco deram-me um fora errado. Piegas uma ova: poeta.

Salve o olhar de ternura de um homem por sua mulher, a saudade verdadeira e o cuidado com ela. É sinal de esperança, de amor e de vida.