FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

24 de fev de 2012

Pela metade...

Postado por Priscila |

Em tempos de crises e recessões, existe uma economia sentimental que segue uma tendência curiosa. Vejamos alguns exemplos:



[Caso 1]

—Nossa, como é bom te ver! Passa o número do seu telefone para a gente se falar?



Nesse instante o tempo congela, a pessoa pensa duas vezes antes de passar o telefone, mas ao mesmo tempo, na solidão do seu quarto reclama a falta de ligações.



[Caso 2]

“Caro amigo, tenho saudades de você. Enviei alguns e-mails, mas você nunca mais me respondeu. Agora que te achei, poderia me mandar novamente seu endereço eletrônico?”



A pessoa em questão encaminha o e-mail “plano B”. Ou seja, aquele que dificilmente acessa, ou que deixa de “stand by” para manter a privacidade...



Ah, a privacidade! Que palavra curiosa! Refletindo a partir de alguns exemplos entendi que, hoje, “privacidade” é aquele espaço em que ninguém, além do próprio, deve entrar, pois é um local para exercício do egoísmo individualista. Também reconheci outras ideias ligadas ao termo, tais como a “meia verdade”, ou a famosa omissão, que quando questionadas são rapidamente rebatidas com o termo “invasão de privacidade”.



Talvez eu seja ingênua, pois entendia privacidade como aquele local de silêncio onde nos recolhemos para meditar, e não para nos esconder.



Eu sei, eu sei... Estamos na sociedade do espetáculo e nunca houve tantas “exibições” como hoje... Mas não estou falando disso... O que eu me refiro é aquele espaço de troca e não da relação espectador-espetáculo.



Enquanto isso, eu reconheço rostos, mas não sei quem são...

Um texto delicado que vale a pena ler!



***

Um olhar de ternura
Artur da Távola - 01 de julho de 2006


Chego no boteco, a macharia está lá. Supondo vir a ser compreendido e admirado, todo pimpão, apresso-me em proclamar:

1- Sabem qual foi o lance mais bonito da Copa?
2- Qual? Qual? Já sei, aquele gol do Argentino de fora da área...
1- Nada disso: tem sido o olhar de ternura do William Bonner para a mulher nas despedidas do Jornal Nacional.

Levo logo uma vaia. Ninguém me compreendeu. Até de piegas me chamaram, em gozação. Calo-me, então, a ponto de os demais depois até repararem. Invento, então, um compromisso e saio antes do fim do papo. A pensar:

Já sei o que os incomodou: a palavra ternura. O mundo anda precisado de ternura e as pessoas têm medo de demonstrar sentimentos. Mas isso é uma bobagem. Ternura ninguém manifesta sem sentir. É necessário que venha de dentro. É o mais leal dos sentimentos. Ternura não se manifesta: sente-se.

Um marido distante quilômetros e um tempão longe da mulher que ama, vê-la na madrugada e no frio a trabalhar com afinco, mesmo sendo discreto e polido como o Bonner, sabe que ela é mãe de seus trigêmeos e dia desses até se preocupou em dizer que lá estava frio como a significar: “Vê lá se vai pegar uma gripe. Amanhã venha mais agasalhada.” D’outra feita, havia uma festa dos brasileiros entrando pela madrugada no Hotel e ela encerrava a sua reportagem do lado de fora. Discreto como sempre, ele quase perguntou: “Você vai à festa? (Ou vai dormir, deve ter pensado e calou?) “Nada de festa, ouviu Madame?” Também esta frase não pronunciou. Mas sentiu o ciuminho e o transmitiu subjetivamente.

Posso pensar que nós cronistas vemos coisas que os demais não percebem e até desdenham e por vezes eu sei que vivemos nos demais as emoções que estão a pulular dentro de nós. Pode ser. Há tanta artificialidade na televisão que aquilo poderia ser combinado. E concluo: poderia ser, porém não é! O rapaz não é ator. Quando a casa deles foi invadida por bandidos, todos ameaçados, ele foi valente defensor da família. Arriscou a vida. Do lado de lá (Alemanha) a Fátima é ainda mais encabulada, e parece uma menina a disfarçar ao receber uma cantada. Mesmo do marido.

Ora, conclui o velho cronista: receber diante de 60 ou 70 milhões de brasileiros uma declaração de amor através do olhar terno e saudoso do marido é a glória para qualquer uma. Sinal de merecimento. Fico com a minha conclusão: os meus amigos de boteco deram-me um fora errado. Piegas uma ova: poeta.

Salve o olhar de ternura de um homem por sua mulher, a saudade verdadeira e o cuidado com ela. É sinal de esperança, de amor e de vida.

23 de fev de 2012

História de um Pão

Postado por Priscila |

Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residênca.

A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos.

Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança.

Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos. E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...

Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.

Barsabás, entregou-se as lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas.

Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes.

Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções.

Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento.

Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico.

Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno:

Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra.

Ai de mim soluçou o desventurado  eu jamais fiz o bem...

Em verdade prosseguiu a informante , trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor...

E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava a feição de pequenino disco solar.

Há trinta e dois anos - disse, ainda, o instrutor , deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida.

Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou:

Jonakim, o enjeitado?

Sim, ele mesmo confirmou a missionário divino. Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas.


 Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se as Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra.
Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...

Era Jonakim, aos quarenta de idade.

Como se estivessem as dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar... (...)

Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis.

 Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.



Espírito Irmão X
por Francisco Cândido Xavier
Da obra: O Espírito da Verdade.

22 de fev de 2012

Lendo o dia

Postado por Priscila |

Flor do Ártico

Hoje li nos jornais a história de uma flor que esperou 32 mil anos para florescer. A semente ficou congelada numa antiga toca de esquilo durante todo esse tempo...  Sabe lá o que é esperar 32 mil anos para germinar e florescer?

***

 A história de um pão

Todas as vezes que ouço "a história de um pão" do irmão X, eu fico reflexiva... Como um pão, dado sem boa vontade para uma pobre criança, pode salvar a alma de um homem poderoso? Eis o milagre da vida...
O verdadeiro ato de caridade liga o benfeitor ao beneficiado através dos laços do amor...