Estou com saudades de ouvir música.
Estou com saudades de ver quadros com cores intensas.
Estou com saudades da minha paz segura e inteira.
Hoje, apenas sombras.
E os meus dedos vagam sem destino...
” E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário…por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência.
E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.” (Caio Fernando Abreu)
Na ponta da calçada uma moeda brilha. A jovem moça de sapatos vermelhos abaixa-se e pega a moeda.
-- Você tem sorte!
Disse o jovem rapaz de sorriso largo e iluminado.
-- Eu teria sorte se tivesse achado um milhão ao invés de centavos.
Os dois riram.
-- Mas quantas pessoas acham moeda nas ruas? Já parou para pensar?
-- Nunca tinha pensado nisso. Eu não ando por aí olhando o chão para achar moedas... eu simplesmente ando.
-- Tudo bem. Não é pecado.
Os dois deram uma risada suave.
-- Tá esperando uma carona?
-- Sim. E espero que chegue antes que a chuva caia.
-- Você tem sorte, esqueceu?
Ela riu duvidando. E a dúvida combinou com o tempo que começava a chuviscar.
-- Acho que você estava errado.
Os dois riem.
-- É. Acho que o jeito é esperar dentro do shopping.
-- Não posso.
-- Então, acho melhor você abrir o guarda-chuva.
-- Não tenho. Esqueci em casa...
-- Eu disse que você era sortuda. Toma. Fica com o meu.
-- Minha mãe disse para eu não aceitar guarda-chuva de estranhos.
Os dois riram da brincadeira.
-- Obrigada! Tem certeza que não te fará falta?
-- Nem um pouco.
O homem começou a se distanciar, caminhando em direção a entrada do shopping. Quando a jovem moça gritou:
--Ei!
-- Diga!
-- Toma a minha moeda da sorte. Quem sabe você não tem mais o azar de perder o guarda-chuva para uma estranha?
Os dois riram, e junto da moeda seguia o número do telefone dela.
-- Bem -- pensou ela -- tomare que ele me ligue antes que a chuva caia...
A chuva não caiu, mas ainda sim, ele ligou.
-- Você tem sorte!
Disse o jovem rapaz de sorriso largo e iluminado.
-- Eu teria sorte se tivesse achado um milhão ao invés de centavos.
Os dois riram.
-- Mas quantas pessoas acham moeda nas ruas? Já parou para pensar?
-- Nunca tinha pensado nisso. Eu não ando por aí olhando o chão para achar moedas... eu simplesmente ando.
-- Tudo bem. Não é pecado.
Os dois deram uma risada suave.
-- Tá esperando uma carona?
-- Sim. E espero que chegue antes que a chuva caia.
-- Você tem sorte, esqueceu?
Ela riu duvidando. E a dúvida combinou com o tempo que começava a chuviscar.
-- Acho que você estava errado.
Os dois riem.
-- É. Acho que o jeito é esperar dentro do shopping.
-- Não posso.
-- Então, acho melhor você abrir o guarda-chuva.
-- Não tenho. Esqueci em casa...
-- Eu disse que você era sortuda. Toma. Fica com o meu.
-- Minha mãe disse para eu não aceitar guarda-chuva de estranhos.
Os dois riram da brincadeira.
-- Obrigada! Tem certeza que não te fará falta?
-- Nem um pouco.
O homem começou a se distanciar, caminhando em direção a entrada do shopping. Quando a jovem moça gritou:
--Ei!
-- Diga!
-- Toma a minha moeda da sorte. Quem sabe você não tem mais o azar de perder o guarda-chuva para uma estranha?
Os dois riram, e junto da moeda seguia o número do telefone dela.
-- Bem -- pensou ela -- tomare que ele me ligue antes que a chuva caia...
A chuva não caiu, mas ainda sim, ele ligou.
*** Trilha sonora: Lisa Ekdahl - Stranger on Earth***
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Sobre o blog
Este blog é um esforço lúdico para (re)elaborar a experiência amorosa. O amor na música, na memória, no cinema, na literatura, ou no "acaso".
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
Leia o Manifesto.
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