FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

25 de jan de 2011

Fome - 2

Postado por Priscila |


"-Tem dias que eu sinto o meu coração roncar como se fosse um estômago!"

24 de jan de 2011

Meus clássicos favoritos - parte 3

Postado por Priscila |

Sans toi, les émotions d'aujourd'hui
ne seraient que la peau morte
 des émotions d'autrefois.
(Sem você, as emoções de hoje seriam como a pele morta das emoções passadas)

(Hipolite - O fabuloso destino de Amélie Poulain)



Clássico nº 3: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean-Pierre Jeunet 

Já perdi as contas de quantas vezes postei, comentei e resmunguei sobre esse filme aqui. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain data de 2001, e é um dos filmes mais "cult-bacaninha" dos últimos tempos.

Esse filme é tão especial, que só é capaz de provocar dois sentimentos no público: paixão arrebatadora ou ódio mortal. Não tem meio termo. "...Amélie Poulain" é um filme muito delicado e leve, e, como já diria Kundera, a leveza, para alguns, é insustentável (Salve Kundera!). Por isso sentimentos tão opostos.

A primeira vez que vi esse filme foi no curso de francês. Chorei tanto que não tinha cabeça para continuar a aula. Saí da sala e fui andar sem rumo pela rua. Fiquei dias pensando no filme.

ADORO TUDO em "... Amélie Poulain"! A fotografia, o roteiro, a trilha sonora (Yann Tiersen é "O" cara!), a interpretação, o duende do jardim, TUDO! Sou tão louca por esse filme que tenho uma edição especial em DVD só para colecionadores (Aviso: não troco, não vendo e NÃO EMPRESTO)! Tenho a trilha sonora e ganhei até uma camisa de um amigo estilista.

Minha mãe morre de raiva da trilha sonora do filme. Ela diz que quando eu boto o CD pra tocar é porque estou triste. E é verdade. Só aquele CD consegue levantar o meu ânimo! rs
Adoro a forma criativa como o roteiro é desenvolvido e o ânimo que ele me dá depois de assiti-lo.

Amélie é tudo de bom porque mostra como coisas simples podem transformar a sua vida em algo extraordinário. Os milagres acontecem todos os dias, mas quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir??? E é por isso que o filme me conquistou...


Recomendo a qualquer pessoa.

23 de jan de 2011

Fome

Postado por Priscila |

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
(Lenine - só o que me interessa)


***


Aqui, dentro de mim, essa intensidade queima e me suplica: "-Mais!"
E mais do que eu não tenho.
Mais do que me falta.
Mais do que desejo.

A voz não cala. Ela urra!
E urra pelo pão que a mantém viva.
No entanto, ninguém a ouve.

E assim, à míngua,
isso que está aqui, dentro de mim, adormece
e sonha com o dia em que o maná cairá do céu.

***
 
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou.

Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

(Lenine - só o que me interessa)

22 de jan de 2011

O que é um clássico?

Postado por Priscila |

Bom, antes de falar dos meus clássicos favoritos, eu deveria definir o que é um clássico. Clássico, pra mim, é aquela obra que me atinge profundamente, me transformando, seja pela sua originalidade, seja pela sua beleza. Mas achei essa definição incompleta... Então, futucando na internet achei esse texto que ajuda a entender o que é um clássico. =D

***

O que delimita um clássico?
Por Sergius Gonzaga
Extraído em: 21 de Janeiro de 2010
Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/temadomes_classicos_2.htm

Esquematicamente poderíamos apontar alguns traços definidores do que hoje se considera um texto clássico:
1. São obras que ultrapassam o seu tempo, persistindo de alguma maneira na memória coletiva e sendo atualizada por sucessivas leituras, no transcurso da história.
2. Apresentam paixões humanas de maneira intensa, original e múltipla. São paixões universais (ou pelo menos "ocidentais") e têm um grau de maior ou menor flexibilidade em relação à historicidade concreta.

3. São obras que registram e simultaneamente inventam a complexidade de seu tempo. De maneira explícita ou implícita desvelam a historicidade concreta, as idéias e os sentimentos de uma época determinada. Há uma tendência geral: quanto mais explícita for a revelação histórica, menor o resultado estético. Na verdade, o espírito da época deve estar introjectada na experiência dos indivíduos.
4. São obras que criam formas de expressão inusitadas, originais e de grande repercussão na própria história literária. Há clássicos que interessam em especial (ou talvez unicamente) ao mundo literário, como, por exemplo, o Ulisses, de Joyce.
5. São obras de reconhecido valor histórico ou documental, mesmo não alcançando a universalidade inconteste. Nesta linha situam-se aquelas obra que são clássicas apenas na dimensão da história literária de um país, como por exemplo, a obra de José de Alencar, ou apenas de uma região, como por exemplo as obras de Cyro Martins ou Aureliano de Figueiredo Pinto.
6. Talvez a característica fundamental de uma obra clássica seja a sua inesgotabilidade. Ou como diz Calvino: "Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer".

7. Um clássico é fundamental também pelo efeito que deflagra na consciência do leitor. Sob esta ótica, devemos considerar que ele é, simultaneamente:
· Forma única de conhecimento – transmite paixões humanas oriundas de um patrimônio universal (que é a experiência do homem);

· Utilização da linguagem de uma maneira exemplar, original e inesperada;

· Um conjunto de revelações, idéias e sentimentos que têm a propriedade de durar na memória mais do que outras manifestações artísticas (música, cinema, etc.) Estas podem ter (e geralmente têm) um impacto maior na hora da fruição, mas seu prolongamento emotivo – a sua duração - é mais breve e inconsistente do que o proporcionado pela grande obra literária.
· Um não contra a morte. Por perdurar, a obra clássica ultrapassa o tempo e a finitude humana. De uma certa forma, é um protesto contra o sem sentido da vida.


Bibliografia:
Calvino, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.