Todos nós somos capazes de amar. E amor não dá pra qualificar como "puro", "romântico" e etc. Se qualificar, não é amor.
Amor é a força que nos torna melhor (independente do "outro" e do mundo ao nosso redor). Mas a gente teima em achar ( e isso eu me incluo) que amor é devoção a um ser amado... E não é.
Amar é uma qualidade íntima, pessoal e intransferível. Podemos oferecer gestos amorosos, carinho, compaixão. Mas o amor, aquilo que sentimos, é nosso.
Por isso que amar é melhor que ser amado... Porque não podemos sentir o amor que o outro tem por nós... Só podemos receber suas demonstrações de afeto... O amor, de fato, é aquele que está nós. E isso independe do "outro".
Ame independente de ser amado. Porque o amor que está em você é a força que te transforma.
O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.
(...)
A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.
(...)
O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.
(...)
O homem solidário, jamais se encontra solitário. (...)"
[Texto "Solidão" extraído do livro O Homem Integral de Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Franco].
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Depois que passei a dedicar meu tempo ao trabalho voluntário com crianças, entendi o significado desse texto. =D
Saudade. Senti falta daquele passeio. Da ida ao cinema, da caminhada na praia, do café com creme...
Senti saudade do papo furado, do papo cabeça, dos risos (risos? gargalhadas!)
Cada um tem o seu karma. O meu foi sempre dizer "adeus" no melhor da festa... São Paulo, Santa Catarina, Alemanha, Tóqui, Paris e Nancy... Tenho uma coleção de postais... Mas, e a saudade? Quem vai pra "maracangalha" comigo agora???
Curiosamente tenho aprendido a fazer as coisas sem ter companhia. Isso liberta, mas ao mesmo tempo não tem a mesma graça de dividir uma combuca de brigadeiro...
Saudades...
Nosso Lar (o filme): refletindo sobre as críticas.
Concordo com a máxima: "Crença, fé, religião não se discutem". Mas acredito que elas devam ser refletidas.
***
Esse fim de semana foi assistir o filme Nosso Lar e depois fui ler as críticas. "O filme é arrastado", "Um roteiro cheio de clichês", "Um filme de linguagem kitsch", críticas, críticas e mais críticas: das flores do jardim (sim, até isso criticaram) a discussão preconceituosa sobre "as quotas" de negros em Nosso Lar... Calma, preciso refletir sobre tudo que li.
Sim, amigos o filme é arrastado... E sabem por que temos essa sensação? Porque vivemos numa sociedade que nos obriga a trabalhar num ritmo alucinado, somos doutrinados a fazer milhares de coisas ao mesmo tempo com a ideia fixa de que o mais importante é "vencer na vida"... Como se a vida fosse um jogo de videogame... Não temos paciência para cenas que demandam de nós meditação... Fato.
O roteiro é cheio de clichês? Sim, porque há mais de dois mil anos existe o "clichê" do ódio, do egoísmo, da ignorância, e quando surgiu a oportunidade de sairmos desse "clichê", através da "Boa Nova", o que fizemos com o seu mensageiro?!
"Amar ao próximo como a ti mesmo", "Perdoar quantas vezes forem necessárias", "Conhecer a ti mesmo, pois a verdade liberta", são frases batidas... Concordo. Mas não conheço nada mais eficaz contra os "clichês da miséria humana"... Alguém discorda disso? Conhecem outra solução?
O filme tem uma linguagem kitsch? Sim, porque o amor e a boa vontade não são as máximas dessa sociedade consumista que sobrevive a base do egoísmo, do individualismo e da distinção social a qualquer custo... Aliás, já reparou como o mercado sempre te oferece produtos para você se sentir amado e especial? Não se engane: amor verdadeiro não se compra. Se conquista. Mas tem gente que se contenta com o simulacro da bajulação...
Diante das críticas sobre Nosso Lar, não me vem a mente apenas as falas da Doutrina Espírita, mas os argumentos de Walter Benjamin sobre a "pobreza da experiência humana"... As falas de Zygmunt Bauman sobre o "amor líquido"... O "fetiche da mercadoria" de Karl Marx... A "desumanização do homen frente as técnicas e os objetos técnicos" citada por Milton Santos...
Sim, o filme é arrastado, clichê e kitsch aos olhos turvos de uma sociedade que prefere os simulacros, a ganância, o "poder" dos objetos fetichizados. No fundo é um público que prefere criticar a "flor do cenário" e a "tendência da moda nos figurinos" a tentar refletir sobre suas atitudes perante a vida...
Se você não acredita na Doutrina Espírita,OK. Se você não aceita a reencarnação, tudo bem. Se você acha que não existe vida após a morte, respeito. Mas tenho certeza que você há de concordar que a morte chega para todos.
Amigos, para além da trilha sonora de Philip Glass, dos efeitos especiais, do elenco e das críticas, o filme nos convida a uma reflexão sobre como estamos aproveitando o nosso tempo de vida, pois a morte do corpo é certa. Então, pra que desperdiçar a existência com pensamentos (e ações!) tão mesquinhos?
Independente do credo, no momento último da vida todos se perguntam: o que eu fiz da minha existência na terra? Se em alguns de vocês, críticos, a lembrança do"ritmo arrastado, clichê, e kitsch" do filme Nosso Lar aparecer na memória, talvez você entenda a singela mensagem.
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É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
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