
Tem dias que as coisas embolam como linha de pipa... Como continuar empinando?

- Cafona!
Gritou a mulher irritada.
- Você é cafona!
Repetiu sem perceber que o povo a olhava.
O "cafona" era um homem de 1,80m, tipo latino. Ele olhava estático a mulher que se debatia no meio da rua entre gritos, choro e rimel borrado.
-Como você pode fazer isso comigo? CAFONA!
O homem não respondia. Ele tinha um olhar de toreiro concentrado. A mulher continuava provocando.
- E não me olha com essa cara, seu cafona!
O homem olhou para um lado, depois para o outro e foi até a mulher. Eles ficaram cara-a-cara. Ela que parecia enlouquecida, começou a soluçar, como quem engole o choro. O homem, então, não pensou duas vezes: tascou-lhe um beijo. Ela parecia fora do ar. Suas pernas bambearam. Quando ela conseguiu recobrar as forças não pensou duas vezes:gritou.
- Cafona! Até o seu beijo é cafona!
***
Moral da história: o amor é lindo! (rs)
L'homme de ma vie
[Rodin, The Eternal Idol]
"Eu escolho um homem que não duvide de minha coragem, que não me acredite inocente, que tenha a coragem de me tratar como uma mulher." Anaï Nin
[Duchamp, a reinvenção da roda]
Em 1913, Marcel Duchamp fixou uma roda de bicicleta a um banco de cozinha e criou uma das suas obras mais conhecidas: "a reinvenção da roda". A diversão de Duchamp era destruir as noções tradicionais de arte e mostrar que qualquer coisa poderia ser transformada em arte.
A proposta do artista era a seguinte: pegar um objeto pronto e assiná-lo (ready-made). Foi Duchamp quem colocou o primeiro bigode na Mona Lisa. Ele pintou um bigode numa reprodução barata da Mona Lisa, e ainda escreveu em baixo "L.H.O.O.Q.". Você deve estar se perguntando: "mas que raios seria isso?" Bom, segundo especialistas em palavrões francófonos seria "Elle a chaud au cul", algo como "Ela tem fogo no rabo".
O ready-made de Duchamp não buscava o deleite estético, mas a reação do público. O importante era provocar a estranheza. E sabe o que era mais doido? Ele mesmo realizava réplicas de suas obras (um perfume de Walter Benjamin em "a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica"... rs). Detalhe: hoje as "réplicas" são tão ou mais valiosas que as "originais".
[Duchamp, L.H.O.O.Q.]
***
Em homenagem à Duchamp apresento minha arte digital:
[P.Az., De Print Screen e Photoshop. Para Duchamp (com amor)]
Sobre o blog
É aqui que eu planto o meu silêncio e vejo brotar arte.
É aqui que eu me reinvento e abro espaço para o novo chegar.
Futures amores, sejam bem-vindos!
Leia o Manifesto.
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