FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

12 de abr de 2009

As cores de Praga

Postado por Priscila |


E mais uma vez você parte. E parte para onde? Não sei. O local de chegada é o que menos importa. O importante é o caminho que se fará até lá.

Agora você irá partir, mas é completamente diferente da primeira vez.

Lembro dos meus olhos marejados.

Lembro da prece silenciosa pedindo para não te perder de vista.

Lembro de você afirmando que nos reencontraríamos mais uma vez.

Lembro de você sorrindo e indo, indo...

Tudo, absolutamente tudo, é diferente do primeiro adeus. Meu coração está tranqüilo. A prece não é mais um desejo. É o querer bem de fato. Assim, estamos em continua prece um pelo outro.

Agora, eu não sinto o adeus. Eu sinto algo que se renova.

O que te espera é lindo, é único, é transformador. O universo em símbolos se desvendará para você, como o mundo se revelou para mim num desamarrar de cadarço.

Livro para os pais, móveis para a amada, dvd para a amiga. E assim, você espalha sementes para ter colheita quando voltar.

Outono na Glória, primavera em Paris. E quando for verão, lembre-se que o inverno terá novas cores: as cores de Praga.

Inté!

10 de abr de 2009

Meet me in Montauk

Postado por Priscila |

Quantas vezes assisti ao filme "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"? Não sei. Perdi a conta! Apesar de já conhecer as falas de cor, a cada nova exibição percebo algum detalhe que até então passou desapercebido.

Uma das últimas coisas que descobri foi que "Clementine" é, de fato, uma espécie de "tangerina"(1).

Além disso, fiquei dias pensando: se Clementine e Joel realmente apagaram a memória que um tinha do outro, como poderiam ter se reencontrado em Montauk? Como não foi possível apagar as ligações afetivas?

Com a ajuda do filósofo Henri Bergson e o seu Livro "Matéria e Memória" (2) , cheguei a algumas respostas:

1 - Temos a tendência a acreditar que nossas ligações afetivas são construções da memória. Ou seja, gostamos de alguém pela "história" que contruímos com ela.

2 - Para Bergson, uma memória jamais é deletada. Na verdade,para ele, quando há a perda de memória, o que se perdeu é a capacidade do cérebro de acessá-la. Mas suponhamos que seja possível realmente apagar a memória. Por que Joel e Clementine se reencontraram em Montauk? Porque mesmo apagando uma lembrança, a simples experiência de ter uma pessoa especial em nossas vidas nos transforma. E essa transformação marca a presença dela em nós para sempre. Nossas escolhas, nossos hábitos, nossos gostos receberam a dose das cores trazidas por esses "encontros".

Termino essa breve reflexão com um trecho do livro do Bergson:

"Nosso caráter, sempre presente em todas as nossas decisões, é exatamente a síntese atual de todos os nossos estados passados".

Portanto, mesmo sem a memória um do outro, Joel e Clementine, estariam presentes um na vida do outro, através do caráter.

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(1) Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Clementines
(2) BERGSON, Henri, Matéria e Memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito - 3ª edição, São Paulo, Martins Fontes, 2006.

7 de abr de 2009

Série "Reza a lenda": 1- Andar de bicicleta.

Postado por Priscila |


Reza a lenda que "quem aprende andar de bicicleta jamais esquece". O.K.! Mas as coisas nem sempre são tão simples assim...

Às vezes, dependendo da bicicleta, a gente tem que descobrir uma nova forma de se colocar em movimento... C'est la vie!

5 de abr de 2009

Eu, "pescador" de mim.

Postado por Priscila |

Ainda sob os efeitos da exposição "Vertigem" dos grafiteiros Otávio e Gustavo Pandolfo (Osgemeos), pesquisei na internet um pouco mais sobre o trabalho deles. Encontrei essa imagem que, confesso, me chamou muito a atenção.

Uma mulher, com o peito aberto, mostra o coração boiando em águas tranquilas. Nos ombros, algo que lembra uma vara de pescar. Do lado direito, peixes coloridos. Do lado esquerdo, um baicú e um homem.

Num primeiro momento, a imagem me conquistou pelo colorido, mas depois, analisando mais de perto, percebi que estes elementos não estavam ali em vão. Havia um significado.

O peito aberto da mulher, onde o coração boia soberano, é simbolicamente o local onde os peixes e o homem foram pescados. Chamo a atenção para a forma como estão expostos os frutos da pescaria: os peixes vistoso em oposição ao baiacú e ao homem.

Não é preciso ser pescador para saber que o baiacú é um peixe dificilmente consumido como alimento, pois produz uma substância tóxica que pode ser letal em caso de ingestão. Seria mera coincidência o homem ter sido colocado ao seu lado? Creio que não. O lado esquerdo do peito da figura feminina, ao meu ver, representa a má pescaria. Aquilo que não nos serve nem como alimento do corpo, nem como alimento da alma. Talvez, como o baiacú, o homem não deve ser deliciado porque é tóxico e letal...

Além disso, o homem não parece ter sido fisgado por um anzol, mas enforcado, perdendo o ar assim como os peixes que estão fora d'água. O corpo imóvel deduz a sua morte. Ele não poderá mais desfrutar das águas calmas onde o coração habita.

Mas uma questão se coloca: o homem foi "pescado" por engano ou propositalmente retirado das águas que banham o coração? Essa pergunta talvez não tenha resposta. Mas uma coisa é certa: dentro ou fora d'água, um baiacú é sempre um baiacú, é tóxico e letal. E se a comparação for razoável, e se a análise for plausível, a coisa mais acertada que a "pescadora" poderia ter feito era ter tirado de perto do coração a ameaça letal do "homem-baiacú".