FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

5 de mai de 2011

Café, Choro e Chopp

Postado por Priscila |

Depois do último ponto,
Depois da última página,
Parece que chegamos ao fim.
Parece.



(Numa cafeteria qualquer de Niterói...)

- Gente, preciso de um analista.
- Eu queria fazer análise também. Não que eu precise. Só mesmo pela experiência.
- Nem me fale em análise, amigas! Meu marido já fugiu pra casa da mãe com a minha filha pra não ter que aguentar a pressão. (risos)

- Tá sentindo um vazio?
- Nossa, todo mundo que encontrei tá nessa. Eu ainda não cheguei lá.
- Tô. É estranhérrimo.

- Tô com muita vontade de chorar!
- [...]
- Então, chora amore!

- [...]
- Chora não! vamos para um bar beber porque esse negócio de café tá deixando todo mundo deprê.
-  É isso mesmo! Vamos lá, queridona!

(Num bar qualquer do Rio de Janeiro...)

- [...]
- E aí, já sabe o que vai fazer da vida após o mestrado?
- [...]

- Não faço a mínima ideia. Não sei nem pra onde ir, pra ser sincera. Tô pensando em voltar pra História. Mas quero um outro lugar, uma outra coisa, o desconhecido... Hoje vi um livro que talvez seja o começo do meu novo projeto. Talvez... Chama-se "A beleza salvará o mundo", do Todorov. Adoro Todorov. Consigo ler ele na praia de tão bom. Sua obra sempre me atravessa... Lendo as primeiras páginas comecei a pensar que meu próximo projeto tem que ser um estudo sobre a "felicidade" - a morte do projeto de vida, a construção das relações episódicas, o consumo e o prazer. Não consigo fazer um trabalho que não seja existencialista. Eu sou assim. Ainda não sei como vou começar isso, mas é daí que eu quero partir...
- Mas cê sabe que pra Academia isso é artigo de perfumaria, né?
-[...]

- Sei, mas eu acho isso uma tremenda falta de senso. As pessoas refletem pouco sobre suas vidas, seu papel no mundo. O que não dá, amiga, é renunciar ao que eu gostaria de pesquisar para me enquadrar num modelinho acadêmico canalha. Eu sou o que eu acredito. Não consigo ser menos.
- Te entendo perfeitamente e, sinceramente, acho que tem muita gente frustrada no mundo porque entregou os sonhos, os valores, pra receber em troca um status.
- Pois é. Não vê a história do X.? Vai sair do cargo da pós porque tá de saco cheio das cobranças quantitativas que matam a qualidade! Esse modelo acadêmico atual é uma burrice!

- Particularmente fiquei chocada com a históra da inexistência de verba para eventos. Imagina, o cara cobra a participação em congressos e etc, mas não paga nada? Sai tudo do seu bolso? Isso é pagar para trabalhar!
- (...)
- (...)

- E sabe o que é pior? Tem gente que acha que a maior recompensa desse sistema é o status! O sujeito fica todo endividado, não convive com os filhos, tem uma relação neurótica com a esposa, não tem tempo nem de ir ao dentista cuidar do dente que tá doendo, mas parece que tudo isso é compensado pelo fato de ser "acadêmico". Gente, que mundo é esse?
- [...]
- [...]

- Só consigo lembrar do prof. Y. que era amigo de um intelectual brilhante da área de Sociologia  e que morreu com um tumor no cérebro. O cara usou todo o tempo de vida estudando, produzindo, depois, com a doença, perdeu a memória. E pior: ficou sozinho. Eu, sinceramente, não quero "casar" com a Academia. Eu quero "o caminho do meio", como diria Buda.
- Tens razão.
- Cara, é uma m... ! A gente fica num mato sem cachorro...

- [...]
- [...]
- Gente, preciso fumar um cigarrinho.

- Eu quero chorar.
- Então chora. E a gente fuma e bebe chopp pra esquecer...
- Mais dois chopes, por favor!

2 de mai de 2011

Conquistas secretas de um ego enfeitiçado.

Postado por Priscila |

Era fim de uma bela tarde de verão e tudo que ela mais sonhava era repousar no coração do seu amado. Coitada! Tão ingênua! Tão crente do belo e do bom!

Um elogio aqui, um risinho acolá e ela pensava com o seu coração apertado: "- É apenas um gesto de delicadeza". Não, não era. Era o ego. O ego querendo provar-se capaz de abrir mais sorrisos, de corar, e de provocar a esperança na mais descrente das almas.

Depois da quinta vez, ela viu o quão tudo aquilo era medonho. Teria confundido as artemanhas egóicas com afeto? Pegou o seu melhor pensamento, passou o seu melhor perfume e deixo-o.

Seu coração não estava mais ali e ele nem se quer notou sua partida. Estava viciado demais nos clichês das conquistas secretas. Não demorou muito e o corpo dela também partiu. Mas ele também nem notou.

E ela? Ela... Ela seguiu em frente, livre e plena do seu caminho.
E ele? Ele... Ele permanceu enfeitiçado pelo próprio ego...

29 de abr de 2011

Andorinhas

Postado por Priscila |

Sozinho, não se faz verão.
Generosidade, a natureza implora.
Pela sobrevivência da espécie.
Pela grandiosidade da vida.

9 de abr de 2011

Departures

Postado por Priscila |


A vida inteira partidas.
De tanto"adeus" parti ao meio.
E se não há meio, nem saída:
Que viva, que vida!
E essas malas,
Essas palavras,
Nada fica, nada vira.

Se não há terra que segura,
Eu não seguro,
Segue o rumo.

O duro é ficar solta,
sempre solta,
No ar, noir.

Parte, mas parte agora.
Vai por enquanto, vai por hora.
Não quero ver me repartir.
Não quero ver me repetir
Em eternidades...
Em desencontros...
Em despedidas...

23 de mar de 2011

Você tem medo de amar?

Postado por Priscila |

Aos aspirantes ao amor, dedico este vídeo.




Esse é um daqueles vídeos delicados que vale a pena ser visto e revisto até a ficha cair.

Se eu pudesse transformá-lo em metáfora diria que é como um terromoto: dura um pouco mais que alguns segundos, mas causa um impacto tremendo...
E por quê?
Por que a vida é simples. Amar é simples.
Mas a gente teima em acreditar que o amor é a pompa e a luxúria do romantismo...

Que todos possam, um dia, escolher amar,
simplesmente amar,
ao invés de travarem uma batalha pela busca do príncipe ou da princesa encantado(a). 

Que possamos amar a maria-chiquinha, 
o dente torto, 
o corte no queixo,
ou a risada exagerada simplesmente por amar...
por ver a pessoa inteira em cada pausa,
em cada toque,
em casa interjeição desconjuntada.

Que possamos amar com a leveza de uma criança.

***
Mais informações sobre o vídeo, clique aqui.

17 de mar de 2011

Corpo

Postado por Priscila |

[Rodin]
E o meu corpo pede a paz da saúde. 

13 de mar de 2011

Dança comigo as marés?

Postado por Priscila |

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que…

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe,– para dizer alguma cousa,–que era capaz de os pentear, se quisesse.

(Machado de Assis - Dom Casmurro)



***


Nunca me imaginei tendo um oceano nos olhos,
Mas se o tenho,
É porque vejo em você a praia onde as minhas ondas se quebram e voltam a nascer.

Deixe-me penetrar nos seus grãos de areia.
Deixe-me tocar as suas conchas recônditas.
Deixe-me experimentar a firmeza das suas rochas.

Absorve a minha espuma,
Saboreia o meu sal,
Descansa na minha brisa,
Permita-se fluir na minha correnteza,
Prova a delicadeza das minhas águas,
Dança comigo as marés.


Dança comigo as marés?

1 de mar de 2011

Escuro

Postado por Priscila |

Certa noite, quando estava sozinha em casa, faltou luz.

- Oh, Céus! E agora?

Pensei quietinha com medo do além me responder. Catei um fósforo, uma vela e segundos depois: - fiat lux!

Tentei esboçar uma carta, no escuro mesmo, mas a vela trêmula me impedia o ato de delicadeza.

Parei de escrever e passei admirar a vela se consumindo.

Para dentro!

Para dentro!

Assim a vela chorava e sumia...

Para dentro!

Para dentro!

Até ela desaparecer.


Fiquei no escuro. A luz não voltou.

Continuei só. Agora, era eu e o meu palito de fósforos queimado.

[Escher - Waterfall]
"Amigo (a), vou escrever de forma quase metafórica porque a língua é um instrumento muito pobre para definir o que se passa. Talvez você tenha que dançar com as minhas palavras ao invés de tentar entender o sentido literal. Até pra mim está difícil explicar essa "acontecência"... Esse rio semântico à la Escher que sobe e desce ao mesmo tempo.

(...)

Eu tento buscar respostas, juro que tento. Tento compreender, mas não dá. Imagine uma régua. Era com essa régua que eu media o mundo. Só que, de repente, descobri que existem outros sistemas métricos... E não dá pra converter tudo para uma das medidas já conhecidas da minha régua..."


***

" Amiga, você descobriu uma ótica que cutucou a bunda do Escher por toda a vida. Ele fala do outro lado das coisas, daquilo que foge às nossas concepções e percepções. E isso intriga. Escher ruminou o inconvencional por toda a sua vida, e mergulhou com paixão e fome no mundo que ninguém via ou entendia.

 (...)
[Escher - Relativity]

O achado de ambos é singular e alimentador, mas nunca vai chegar a uma conclusão. Muito mais que a formulação de teorias, este estado de graça leva à OBSERVAÇÃO. E isto basta. Tudo além disso, significa a tortura de Clarice, ou dos cientistas de tentar entender, reter e manipular.


(...) Criamos para nós mesmos uma imagem (que mais nos convém), que mascara um total desconhecimento deste buraco negro que é o ser. Isso vale para nós e para o outro. A mesma falta de ar face o abismo que te deu ao tentar analisar seu objeto é o que teríamos ao analisar a nós mesmos.

O novo, minha cara, é um espaço a conhecer, não a conquistar".

***

"Eu continuo me perguntando sobre o assunto, amigo (a), especialmente agora, e é como se o oráculo de delfos que habita em mim me desse como resposta o sorriso do Gato de Cheshire do país das maravilhas.



É... Talvez seja isso. Atravessei a toca do coelho. Cruzei o espelho. Estou no desconhecido reconhecível e incompreensível. "


***

Exposição
O Mundo Mágico de Escher
Centro Cultura Banco do Brasil - RJ (CCBB)
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - RJ
De 18 de janeiro a 27 de março.
Terça a domingo, das 9h às 21h
Entrada gratuita.

30 de jan de 2011

Carta

Postado por Priscila |

Meus amigos dizem que eu escrevo cada vez melhor... E isso não é um post sobre falta de modéstia. É um post sobre a minha dificuldade em compreender isso.

Não sei fazer romance.
Não sei fazer poesia.
Não sei escrever crônica.
Não sei escrever conto.
Só sei redigir cartas.
Cartas que nunca foram entregues.
(Mas que nem por isso deixaram de ser lidas).

***
Queria saber escrever sem brincar de "faz de conta que é uma mensagem para alguém"...

23 de jan de 2011

Fome

Postado por Priscila |

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
(Lenine - só o que me interessa)


***


Aqui, dentro de mim, essa intensidade queima e me suplica: "-Mais!"
E mais do que eu não tenho.
Mais do que me falta.
Mais do que desejo.

A voz não cala. Ela urra!
E urra pelo pão que a mantém viva.
No entanto, ninguém a ouve.

E assim, à míngua,
isso que está aqui, dentro de mim, adormece
e sonha com o dia em que o maná cairá do céu.

***
 
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou.

Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

(Lenine - só o que me interessa)

14 de jan de 2011

The book is on...

Postado por Priscila |


"The Shelf". Prateleiras "The Shelf". Um nome nada criativo para uma marca de prateleiras! Pensei.

- Me vê três dessas prateleiras, por favor!

Comprei. Paguei. Levei. Instalei. Quer dizer, minha mãe instalou. Sou péssima com furadeira, brocas e afins...

Agora, bora arrumar a bagunça.

Nunca pensei que fosse tão difícil arrumar livros numa prateleira! É preciso ter cuidado para não exceder o peso, descobrir o tamanho dos livros que podem caber ali e por aí vai... Mas isso era o menor dos meus problemas. O difícil mesmo era decidir quem ia ficar com quem.

Foi aí que me lembrei das festas em que o anfitrião tem todo o cuidado em escolher quem vai sentar com quem a mesa. Misturar tias que se odeiam, por exemplo, pode transformar a festa em assunto de polícia. E no caso dos livros, pode ser pecado mortal!

No chão, bem no canto, escondido, permanecem os livros religiosos e de auto-ajuda. Pra que mostrar pra todo mundo que eu não sou perfeita, que sofro e que quero me entender? Pra que mostrar que gosto, de vez em quando, de palavras que me lembrem da minha humanidade, mesmo quando escritas por Paulo Coelho? Pra quê?

No canto esquerdo, os livros acadêmicos, pesados, com capas enfadonhas, alguns já mofados dos sebos. Esses até podem conferir alguns status quando visualmente apreciados, mas só entre os meus patrícios... E como esse tipo de gente não costuma ter vida social e dificilmente visita alguém, é melhor deixar no canto esquerdo mesmo, à sombra dos clássicos.

Ah, os clássicos! Todo mundo conhece, mas nunca leu! Eu, além de conhecer e de não ter lido alguns, faço questão de comprar e deixar na prateleira. É um ato de colecionar inconsciente. Sou bibliófila e não sabia. No centro, Frankestein seguido da Divina Comédia e Admirável Mundo Novo. Depois A Insustentável Leveza do Ser, A Paixão Segundo G.H. e Em Busca do Tempo Perdido. Por cima de tudo: O Pequeno Príncipe. Hum... Apesar de clássico, O Pequeno Príncipe não caiu bem aqui... Acho que vou trocá-lo por Memória de Minhas Putas Tristes. Combina melhor. Feito! Vou colocar o Pequeno Príncipe na prateleira de baixo, junto com os livros infanto-juvenis.

Segue então O Pequeno Príncipe, Alice no País das Maravilhas e Harry Potter 1, 2, 3 e 4... Céus! HP junto de Alice e Le Petit Prince! É o fim dos tempos! Pior: não há mais espaço. Eles terão que ficar juntos...
E que isso me sirva de lição para não confundir jamais um clássico com um best-seller e vice-versa! E é fácil de lembrar: seis volumes de Harry Potter e nenhuma epígrafe para a eternidade! É... O mercado editorial às vezes é tão cruel como a Rainha de Copas e tão nocivo como os baobás.

Fim da arrumação. All the books are on the shelves.

24 de nov de 2010

Só isso.

Postado por Priscila |


Era dessa imagem que eu precisava hoje para expressar o que se passa por aqui, dentro de mim.

19 de nov de 2010

mONsTrO - 2

Postado por Priscila |

- Quando era criança, você me disse que os monstros não existiam.
- E não existem! Confie em mim. Se os monstros existissem,querida, não arrancariam o seu braço como eu, nem te apunhalariam as costas como eu te apunhalei.
- Não, isso não faz sentido... Tudo isso me parece monstruoso...
- Está me chamando de monstro? Respeite os mais velhos, garota! Isso não é monstruosidade. É amor, sua ingrata! Se te joguei do penhasco e te feri gravemente é porque era para o seu bem! Eu sempre soube o que é melhor pra você! Como você tem coragem de reclamar?!
- Monstro, se ainda me sobra algo inteiro que ainda não foi destruído por você, esse algo é a razão. E quanto mais você nega os monstros, mas monstruoso você me parece.

15 de nov de 2010

mONsTrO

Postado por Priscila |

[Andy Kehoe]

Estou cansada da sua monstruosidade, Monstro.
Não, você não tem o direito de me magoar, pisar ou rancar fora o meu braço favorito só porque eu te amo. E não, não vou aceitar tamanha monstruosidade.

Tô cansada de falar baixo para não te incomodar, de engolir dor porque você não quer a verdade.
Chega, seu monstro!

Não aguento mais ver você destruir a minha casa só porque se irritou.
Estou farta dessa história de você sempre querer tirar vantagem de mim.

Eu não consigo continuar te amando como antes. Não dá. E não adianta alegar que amor é direito adquirido só porque você dizia que eu era a princesinha do seu mundo. Mentira! O único soberano ali sempre foi o seu umbigo.

Você é desastrado e estou farta da sua indelicadeza
Monstro, não quero mais ficar perto de você.

31 de out de 2010

Doces travessuras...

Postado por Priscila |

Domingo, 31 de Outubro de 2010. Alguém tocou a campanhia. Na ponta do pé me coloquei para ver quem estava do outro lado da porta: duas crianças. Girei a chave na porta e deixei eles falarem.

- Oi, nós vamos fazer uma festa de dia das bruxas no play e queríamos saber se aqui tem alguma criança que gostaria de participar.

O menino terminou a frase num sorriso e um flash back correu na minha cabeça... Há quatoze anos atrás era eu, juntamente com duas outras amigas, quem estava batendo na porta das pessoas fazendo a mesma pergunta. Emudeci.

Nos seriados americanos e na "malhação" tem sempre os tipos ideais de adolescentes: o esportista, a popular, o nerd, a feia descolada... Eu não era nenhum desses. Eu era a promoter. Aquela que sempre organizava as festas, que pedia a luz negra da vizinha, a permissão do síndico para o uso do salão de festas e organizava a lista dos "comes & bebes" ("-meninas prato de doce ou salgado, meninos refrigerante!" Modelo clássico!). Cheguei até a pedir de Natal um micro system pensando no garoto com quem queria dançar no Hi-Fi das férias de janeiro ...

Que louco! Um menino toca a campainha, me faz uma pergunta simples e eu faço toda essa viagem ao passado! Acho que ele pensou que eu era meio lesada porque eu demorei muito para responder. Naquele instante a minha vontade era ter treze ou quatorze anos novamente e reviver a festa do dia das bruxas e tantas outras festas que inventei com os meus amigos do play só pelo simples prazer de estar com eles... Meus olhos se encheram de lágrimas e antes que elas caíssem respondi ao menino.

- Infelizmente eu cresci. Não mora mais nenhuma criança aqui.

Dei um sorriso de lado e eles já partiram para um outro apartamento. Fechei a porta. Dois minutos depois me vi saíndo de casa com esses pensamentos... Entrei no elevador e uma das minhas amigas de play estava lá. Falamos juntas:

- O MENINO FALOU DA FESTA DO DIA DAS BRUXAS COM VOCÊ???

Rimos juntas, suspiramos ao mesmo tempo e respondemos num tom suave cada uma no seu tempo:

-Só conseguia lembrar da gente criança e das nossas festas no play...
- Dei até uns trocados pra ajudar na decoração... Lembra como era difícil arrumar a grana?
- Lembro... Mas era bom.
- Era... Que saudade!

Sorrimos, saímos do elevador, e por alguns minutos fomos contempladas pela doce lembrança das nossas travessuras...



[Foto: "amigos do play" - 6 estão casados e 3 já tem filhos.]

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Dedico esse post aos meus "amigos do play" que me presentearam com algumas das melhores lembranças da minha infância.

13 de out de 2010

A minha paz

Postado por Priscila |

Há muito tempo não andava tão triste.
Há muito tempo não sentia tanta angústia.
Não sei (e não quero aprender) a conviver com isso.

Eu só quero a paz.

19 de set de 2010

Divagações sobre... Amor.

Postado por Priscila |

Todos nós somos capazes de amar. E amor não dá pra qualificar como "puro", "romântico" e etc. Se qualificar, não é amor.

Amor é a força que nos torna melhor (independente do "outro" e do mundo ao nosso redor). Mas a gente teima em achar ( e isso eu me incluo) que amor é devoção a um ser amado... E não é.

Amar é uma qualidade íntima, pessoal e intransferível. Podemos oferecer gestos amorosos, carinho, compaixão. Mas o amor, aquilo que sentimos, é nosso.

Por isso que amar é melhor que ser amado... Porque não podemos sentir o amor que o outro tem por nós... Só podemos receber suas demonstrações de afeto... O amor, de fato, é aquele que está nós. E isso independe do "outro".

Ame independente de ser amado. Porque o amor que está em você é a força que te transforma.

12 de set de 2010

Inté!

Postado por Priscila |

Saudade. Senti falta daquele passeio. Da ida ao cinema, da caminhada na praia, do café com creme...

Senti saudade do papo furado, do papo cabeça, dos risos (risos? gargalhadas!)

Cada um tem o seu karma. O meu foi sempre dizer "adeus" no melhor da festa... São Paulo, Santa Catarina, Alemanha, Tóqui, Paris e Nancy... Tenho uma coleção de postais... Mas, e a saudade? Quem vai pra "maracangalha" comigo agora???

Curiosamente tenho aprendido a fazer as coisas sem ter companhia. Isso liberta, mas ao mesmo tempo não tem a mesma graça de dividir uma combuca de brigadeiro...

Saudades...

22 de ago de 2010

Quetinha.

Postado por Priscila |

Fala baixinho, assim, em minúsculo.
Deixa a tranquilidade na voz.
Preciso de rede, paisagem, mar e violão.
Preciso de tempo calmo. Chuva fina. Cobertor quente.
Desliga o rádio, esquece essa tv.
Fica quetinha, vai! Bem quetinha...