FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

15 de jun de 2011

Renúncia & Amor próprio

Postado por Priscila |

Lucy, sentada numa cafeteria com sua amiga de infância, tenta entender:

-- Pagie, eu tenho certeza que fiz tudo certo. Que eu dei o meu melhor. Mas porque estou me sentindo um lixo?
-- Porque você acreditava que dando o seu melhor seria o suficiente. Só isso.
-- Nunca é suficiente, né?
-- Nunca.
-- Eu dei o meu melhor e ainda riram da minha cara chamando isso de "falta de amor próprio". Eu fiz as coisas com tanto gosto! Simplesmente porque gosto de ver os outros felizes. Agora, quando tenho o primeiro impulso de fazer algo, sempre me vem na cabeça aquela cena e logo perco a vontade. É um instinto de preservação.
-- Não te condeno. Não sei como seria se estivesse no seu lugar. As pessoas escolheriam melhor seus comentários se elas soubessem o tamanho da dívida que contraem.
-- Não, não há dívida. Foi só um comentário infeliz.
-- Você é quem pensa! O comentário gerou mal estar, e daí, dificilmente você estará próximo dessa pessoa. Enfim, a boca imprudente acaba de ganhar um desafeto.
-- Não quero ser desafeto de ninguém!
-- Então quer ser afeto?
-- Aí, já é demais, né?
-- Viu?

[Silêncio]

-- É insuportável a lembrança do episódio, Pagie...
-- Uma hora esse mal estar passa...
-- Espero!
-- Amiga, a sensação que tenho é que qualquer ato de doação, de renúncia, por mais simples que seja, é falta de amor próprio. Eu me sinto como se estivesse me traindo. A minha vontade é manter tudo no módulo "econômico", entende?
-- Entendo, mas não tenho respostas pra isso. Só desejo que -- com o tempo -- a solução apareça.
-- Assim seja!

1 comentários:

Rodrigo disse...

"Amiga, a sensação que tenho é que qualquer ato de doação, de renúncia, por mais simples que seja, é falta de amor próprio. Eu me sinto como se estivesse me traindo. A minha vontade é manter tudo no módulo 'econômico', entende?"

Essa é a tentação do cinismo, uma armadilha que já esfriou muitos corações. Fujamos dela agarrando-nos à esperança -- que nos dá a fortaleza e reaquece o coração -- e à razão -- que põe limites aos excessos de uma generalização apressada a partir de uma experiência particular.

Nem Cristo nem Buda, nem Gandhi nem Martin Luther King, nem Kardec nem Francisco, entre outros, cederam a ela e ajudaram a enriquecer o mundo. Sejam nossos faróis nos momentos de mágoa. Amanhã é outro dia.

Um beijo,
R.