FUTUROS AMORES

Um blog sobre amor, arte e acaso.

7 de set de 2010

Nosso Lar (o filme): refletindo sobre as críticas.

Postado por Priscila |

Concordo com a máxima: "Crença, fé, religião não se discutem". Mas acredito que elas devam ser refletidas.

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Esse fim de semana foi assistir o filme Nosso Lar e depois fui ler as críticas. "O filme é arrastado", "Um roteiro cheio de clichês", "Um filme de linguagem kitsch", críticas, críticas e mais críticas: das flores do jardim (sim, até isso criticaram) a discussão preconceituosa sobre "as quotas" de negros em Nosso Lar... Calma, preciso refletir sobre tudo que li.

Sim, amigos o filme é arrastado... E sabem por que temos essa sensação? Porque vivemos numa sociedade que nos obriga a trabalhar num ritmo alucinado, somos doutrinados a fazer milhares de coisas ao mesmo tempo com a ideia fixa de que o mais importante é "vencer na vida"... Como se a vida fosse um jogo de videogame... Não temos paciência para cenas que demandam de nós meditação... Fato.

O roteiro é cheio de clichês? Sim, porque há mais de dois mil anos existe o "clichê" do ódio, do egoísmo, da ignorância, e quando surgiu a oportunidade de sairmos desse "clichê", através da "Boa Nova", o que fizemos com o seu mensageiro?!

"Amar ao próximo como a ti mesmo", "Perdoar quantas vezes forem necessárias", "Conhecer a ti mesmo, pois a verdade liberta", são frases batidas... Concordo. Mas não conheço nada mais eficaz contra os "clichês da miséria humana"... Alguém discorda disso? Conhecem outra solução?

O filme tem uma linguagem kitsch? Sim, porque o amor e a boa vontade não são as máximas dessa sociedade consumista que sobrevive a base do egoísmo, do individualismo e da distinção social a qualquer custo... Aliás, já reparou como o mercado sempre te oferece produtos para você se sentir amado e especial? Não se engane: amor verdadeiro não se compra. Se conquista. Mas tem gente que se contenta com o simulacro da bajulação...

Diante das críticas sobre Nosso Lar, não me vem a mente apenas as falas da Doutrina Espírita, mas os argumentos de Walter Benjamin sobre a "pobreza da experiência humana"... As falas de Zygmunt Bauman sobre o "amor líquido"... O "fetiche da mercadoria" de Karl Marx... A "desumanização do homen frente as técnicas e os objetos técnicos" citada por Milton Santos...

Sim, o filme é arrastado, clichê e kitsch aos olhos turvos de uma sociedade que prefere os simulacros, a ganância, o "poder" dos objetos fetichizados. No fundo é um público que prefere criticar a "flor do cenário" e a "tendência da moda nos figurinos" a tentar refletir sobre suas atitudes perante a vida...

Se você não acredita na Doutrina Espírita,OK. Se você não aceita a reencarnação, tudo bem. Se você acha que não existe vida após a morte, respeito. Mas tenho certeza que você há de concordar que a morte chega para todos.

Amigos, para além da trilha sonora de Philip Glass, dos efeitos especiais, do elenco e das críticas, o filme nos convida a uma reflexão sobre como estamos aproveitando o nosso tempo de vida, pois a morte do corpo é certa. Então, pra que desperdiçar a existência com pensamentos (e ações!) tão mesquinhos?

Independente do credo, no momento último da vida todos se perguntam: o que eu fiz da minha existência na terra? Se em alguns de vocês, críticos, a lembrança do"ritmo arrastado, clichê, e kitsch" do filme Nosso Lar aparecer na memória, talvez você entenda a singela mensagem.

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